domingo, 22 de janeiro de 2012
O TOBI
Era do nosso vizinho mas cedo se deixou cativar pela nossa neta Rita. Ainda muito pequena, começou a chamá-lo e afagava-lhe carinhosamente a cabeça a tal ponto que o Tobi parecia sorrir.Depressa ficaram amigos e depressa também começou a frequentar a nossa casa. Sentia-se cá bem e até se podia dizer que a nossa casa era a sua morada preferida. Frequentes vezes, esperava , fora do portão uma oportunidade para entrar. Tornou-se também amigo e protector duma cadelinha preta e aleijada que andava por aí, sem dono, e que depois viria a ser a nossa Pituxa.O Tobi também gostava de ir connosco à missa, quando , durante o verão, íamos a pé , aos sábados à tarde. Ficava fora enquanto durava a cerimónia e, ao sairmos, lá estava ele à espera para nos acompanhar à nossa frente, e a trote, na Avenida da Paz, bem como de toda a nossa rua, até a casa. Quando os donos se ausentavam mudava-se para cá. Trazíamos-lhe a casota e todos os seus apetrechos e ele, feliz da vida, instalava-se no alpendre da nossa entrada.
Uma certa vez apareceu, num dia muito chuvoso e de vento, extremamente cansado, sem poder andar, trazendo nos olhos uma enorme tristeza. Fiz-lhe uma cama de jornais sobre o chão molhado da chuva, pus um guarda - chuva a protegê-lo do vento e o Tobi percebeu perfeitamente que devia aproveitar aquele acolhimento. Deitou-se e ali ficou até que as forças voltassem.
Era baixote, com uma cauda muito branca e felpuda que se agitava graciosamente quando corria à nossa frente. O dorso era cor de mel. O focinho ponteagudo com orelhas também felpudas e caídas.Mas o que mais impressionava eram aqueles dois olhos expressivos, quase verdes com que meigamente nos olhava e nos sorria , revelando uma inteligência muito fora do comum num animal.Algumas vezes libertei-o de carraças que trazia nas patas ou nas orelhas. O Tobi não recebia muita atenção dos donos e passou a receber muito menos desde que começou a coxear, por uma das patas ter ficado mais curta.Isso, porém , não o impedia de fazer a sua vida normal: corria, brincava, ladrava, defendia o seu território como se nem sequer se apercebesse da sua limitação. Mas, talvez por não corresponder ao estatuto que ostentavam os seus donos, o Tobi deixou de aparecer...E um dia , que sempre chega, o Tobi não voltou.Os dia sucederam-se sem que ele viesse. A Rita perguntava, perguntava...Ninguém sabia de nada!Só que passado pouco tempo apareceu na casa dos donos um cão de raça, de elevada estatura que foi ostentado como um verdadeiro exemplar ,já compatível com o estaturo social da família.
Quanto ao Tobi, bonito, afável, inteligente, mas coxo, esse desapareceu para sempre! Temos a sua fotografia que nos ajuda a recordá-lo com todo o carinho que sempre lhe dedicamos.
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