Já andei uma boa parte do caminho.As marcas da caminhada são-me devolvidas pelo espelho quando nele contemplo o meu rosto, um rosto riscado de rugas e onde o olhar perdeu o brilho e os olhos,o encanto. Por cima, a emoldurar o quadro, estão os cabelos grisalhos e sem graça, que eu ,às vezes ,prendo com ganchos e outras vezes deixo-os ao acaso, tentando encontrar a graça despretensiosa com que os usava na minha vida de juventude.
O tempo passou demasiado depressa: passou o tempo da vida activa na sociedade, passou o tempo de ter filhos ; passou o tempo de criar os netos, passou o tempo das iniciativa arrojadas, de passear, de viajar, de empreender... Já é tudo muito pesado e medido, considerado e avaliado, antes de cada empreendimento. E alguns nem chegam a concretizar-se.
A vida alterou-se, é preciso que se diga. É necessário assumi-lo. Mas também é preciso continuar a viver na medida das possibilidades.


