quinta-feira, 9 de julho de 2015

DOMINGO DE RAMOS

O dia cobriu-se com um manto diáfano de neblina. As folhas estão quietas e verdes. O vento foi embora e só se ouve, ao longe, o motor  duma máquina de ordenha.Há porém uma lembrança que todo o dia tem gritado alto como que para me acordar: faz hoje quatro anos que me despedi dela, naquele lar para onde a levaram contra a sua vontade.Nesse Domingo de Ramos fui até lá, para aquele que seria o último encontro nesta terra e nesta existência.
 Ainda ouço os seus gritos e soluços quando a abracei para me vir embora. Foi um momento de dor e de drama,  mas nada se podia fazer. Deixei-lhe o xailinho de lã que a fizera sorrir e encantar-se à minha chegada. Depois ,só houve lugar para o pranto...
 Um mês depois, ela partia para a sua eternidade e eu já não estava fisicamente perto dela...
 A minha vida vai assim, sendo marcada pelas despedidas dos que vejo partir adiante. E conquanto saiba que estão todos logo ali mais adiante, às vezes assalta-me a nostalgia dos seus sorrisos, dos seus dizeres, dos seus actos! Já vi partir tantos seres amados! E sabe Deus quantos terei ainda de ver partir até chegar a hora de alçar o voo da minha liberdade e voar também para a plenitude dos horizontes e das lonjuras!

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