segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

TARECO

Já estava muito velho e doente quando nos deixou. Creio que apanhou " coriza", pois ficava como o nariz completamente entupido de muco... O Tareco era filho da nossa gata Duquesa e irmão do nosso Farrusco desparecido. Era um grande gato branco com manchas pardas. Viveu quase toda a sua vida num balcão da nossa casa.Lá estava a casota onde dormia e se abrigava e a respectiva caixa de areia.Havia também a malga da comida, a da ração e a da água.Enquanto foi novo e forte gostava de sair do balcão. Ia pela porta da frente da casa,dava a sua volta e, quando regressava " dizia" que tinha chegado,batendo com a pata na porta. Entrava , todo prazenteiro, indo directamente para o seu lugar habitual. Este ritual manteve-se a sua vida toda que foi perto de doze anos. Gostava muito da minha neta Rita. E enquanto ela lhe fazia festas e mimos, rebolava-se gostosamnete no chão e todo ele era felicidade. Tinha uma enorme cabeça e uns grandes e belos olhos verdes. Ainda em bebé deixou-se fotografar ao colo das minhas netas. Temos uma fotografia desse época, com o seu irmão Farrusco à porta da casota onde moravam. Numa manhã chuvosa de primavera de 2004, o Tareco ficou dormindo o seu sono final. Foi assim que o encontrei deitado na sua casota. O Vítor levou-o e enterrou-o na quinta. No local até se pôs uma cruz de madeira!

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

À tarde, depois de acertrmos com a médica veterinária, o King fazia a sua última viagem! *********** Foi um sofrimento atroz o que se abateu nos nossos corações : por um lado o seu o seu padecimento, por outro o termos de abreviar a sua partida! E assim o King desapareceu do nosso quintal; deixou de haver aquele bulício a cirandar todo o dia no passeio de cimento, deixou de se ouvir o seu ladrar, o saltitar da bola, o raspar na madeira da casota, o tloc-tloc dele a beber a água...Tudo ficou em silêncio. Um silêncio pesado e triste...As lágrimas, engolidas umas vezes, outras derramadas persistiram por muito tempo, associadas a uma pungente saudade. Era o nosso King que tanto que fazer nos tinha dado, mas também acompanhado e até talvez defendido. Mas era , sobretudo, uma recordação viva do Tibério. Tinha sido uma escolha dele que nos coubera por herança. Era uma página da sua vida que vivia no King. Assim, foi como se a morte ,uma segunda vez, nos estivesse visitando...
Um vez ausentámo-nos para o Continente e o King ficou ao cuidado dum familiar. Quando regressamos o Marcelo disse -nos : - o King está muito doente!- Senti abrir-se uma especie de ferida na alma, mas logo pensei que talvez não fosse nada de grave. Depressa, porém, me apercebi da situação:quando assomei à janela (era já de noite)apenas o seu corpo escuro, apoiando-se contra a parede da casa era o sinal de que estava ali como podia para me receber.Mal se segurava de pé e já não conseguia sequer levantar a cabeça.No dia seguinte, soubemos que os centros nervosos do King tinham entrado em degeneração começando pelas patas traseiras e pescoço.Durante longos dias fomos amparando o King. Ajudava-o a percorrer o passeio do quintal e mesmo sentado atirava-lhe a bola que ele aparava com a boca. Foi-se entusiasmendo a pouco e pouco e começou por dar umas passadas, depois já ia a curta distância buscar a bola e acabou por recuperar quase noventa por cento das suas capacidades.Depois veio aquele período de longas caminhadas com o Vítor em que o King o acompanhava alegremente. Com o decorrer do tempo, porém, as patas traseiras voltaram a fraquejar, por vezes julgava-se que ele já não teria forças de regressar a casa.Levantava-se com muita dificuldade para vir ter connosco ou para as suas necessidades fisiológicas. Às vezes caía sobre os excrementos. Sentia-se como que embaraçado e desamparado. Até que ,em Novembro de dois mil o King foi acometido de novo ataque. Recusava-se a dormir na casota e começou a deitar-se ao relento . Em cada manhã, eu pensava que o iria encontrar já sem vida...Mas não! Lá estava, cada vez mais incapacitado e sem que o pudéssemos ajudar, pois não permitia que tentássemos pô-lo de pé.Quando nos abeirávamos só reagia com aquele olhar triste e desalentado, mais nada. Acabámos por colocá-lo sobre uma manta que carregamos para a gargem. Aí passou mais umas noites. Mas não se levantava e descansava sobre as feses e a urina.Chegou finalmente o dia. Era sexta feira. Fomos surpreendê -lo de pé no quintal.Mas estava ali,incapaz de levantar sequer uma pata! Acariciei-o e ele ainda conseguiu ter para mim aquele seu gesto tão peculiar de esfregar a grande cabeça nas nossas pernas. Foi a nossa despedida formal duma convivência de doze anos!

O KING (continuando...)

Uma vez, o King foi ao veterinário à vacinação e fez tal banzé que arrancou o puxador fortíssimo duma porta do consultório. Não suportava o cheiro do lugar e só arrastado(injustamente) é que transpôs a porta de entrada. Quando mudámos de casa foi instalado no quintal, usufruindo de um largo espaço. Mas continuava com o vício de ladrar ao mais pequeno pormenor ou ruído e, se pressentia alguma visita, ladrava o tempo todo que a visita durava. Só havia uma solução : jogar a bola. Às vezes eu não podia mais ouvi-lo ,zangava-me com ele. Atirava-lhe pedaços de lenha da lareira para o chão, chegando mesmo a feri-lo numa pata, mas nada adiantava e eu ficava mais magoada ainda do que ele.Certa vez tivemos de nos ausentar e deixamo-lo no canil da Veterinária.Quando fomos buscá-lo tinha arrasado as cordas vocais com tanto ladrar... A sua voz que dantes era cavernosa, quase assustadora, agora soava incaracterística e desafinada.Era o King a sofrer sem compreender e nós sem compreendermos porque nos estava aquilo a acontecer!?Não obstante os aspectos negativos , o King era um animal mimado e muito mimoso:apesar de imensamente grande, adorava ser acariciado; encostava-se todo a nós e quase nos derrubava com a sua força mas era essa a forma de nos fazer sentir o quanto nos amava e quanto apreciava a nossa companhia. Quando almoçávamos no quintal durante o verão, umas vezes ficava amarrado, outra era deixado solto.Raramente estava sossegado: ou havia de farejar tudo o que havia, ou dava-nos cabeçadas inesperadas, ou quase virava tudo...Mesmo assim ,gostávamos da sua presença, pois quando se sentava era esbelto e quando se deitava sobre as patas, exibia uma postura nobre e de grande beleza. A pelagem tinha a caractrística dos da sua reça. Tinha, no entanto, os olhos esverdeados mas muito expressivos. Exibia também uma forte dentadura branca e uma grande língua rosada que nos momentos de satisfação,ou de calor, deixava cair, arquejando e como que a sorrir para nós! O pêlo era curto, exceptuando a cauda,que abanava vigorosamente, vergastando-nos as pernas nos seu momentos de euforia.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

O KING

Pastor alemão, talvez um pouco " cruzado", mas de estatura imponente. Vigoroso e um tanto amalucado, era, no entanto, amorável, mimado e , sobretudo, um excelente jogador de bola.Ainda cahorro, no quintal comripdo e estreito da nossa casa em Ponta Delgada, ensinei-o a " ir buscar" a bola depois de a atirar para longe.Tanto bastou para que ele associasse as idas e vindas com a bola na boca, ao seu jogo predilecto. Sempre que chegássemos perto dele, logo descobria uma bola com que jogar.Vinha pô-la mesmo em cima dos nossos pés, e se a nossa distracção continuasse, dava um forte latido ao mesmo tempo que batia as patas dianteiras no chão.Era impossível não compreender a sua pertensão.Jogava-se no pátio, jogava-se da janela, da porta, enfim, desde que desse para atirar a bola, o King estava pronto para a ir buscar , ou mesmo para a apanhar no ar com a boca.Este foi sempre, quase até à morte, o seu aspecto mais simpático e a sua capacidade mais interessante. Foi o Tibério ainda que o trouxe ao colo para a nossa casa e , apesar de ser cachorro, foi ele quem tudo dominou e determinou: os gatos não podiam aparecer-lhe à frente, tinham de comer em cima do telhado da cassa de lavar e a Dominique,nossa cadelinha pequinês, como não gostava dele e implicavam um com o outro teve de utilizar o jardim da frente para as necessidades fisiológicas e perdeu muita da sua liberdade. O King era então um cahorro muito forte e muito traquinas. Era difícil, às vezes, segura´-lo e começou a ter o péssimo hábito de ladrar com tudo e com nada.À medida que foi crescendo, à excepção de um ou outro passeio com o dono, pouco saía do quintal o que o tornou anti-social, desconfiado e não de confiança. Só os de casa lidavam com ele. Era muito impetuoso, quase nos derrubava, quando alegre e entusiasmado se punha só nas patas de trás.

DIANA

Era uma cadelinha branca, com manchas cor de mel e de cauda felpuda.Veio ter à nossa casa já não sei muito bem como. Acho que a minha mãe a recebeu de uma pessoa amiga.Mas recordo-me perfeitamente de que nessa altura a Diana cabia num bolso da minha saia cor de rosa.Era um animal dedicado e inteligente. Uma das suas " habilidades" era dizer adeus com as patas dianteiras , se a segurássemos no colo...Viveu connosco um porção de anos.No entanto, para o fim da sua vida foi atacada pela esgana que a foi deformando e até afectando a visão.Numa noite em que ,em directo, pela televisão, se assistia à primeira alunagem dos americanos, ela ficou muito doente. Deitou-se debaixo dum móvel. Já não podia comer nem andar.Acho mesmo que já não ouvia.Fui para o pé dela e, de joelhos, fui -lhe dando conforto e carícias.Num determinado momento teve um estremecimento e morreu finalmente. Foi um instante supremo de alívio e de saudade, daquele simpático animal. Gostava ainda de referir que ela pressentia a hora da minha viagem de regresso da Escola. Vinha a pé e tinha de percorrer uma comprida recta antes de chegar a casa. A Diana punha-se à janela, olhando longe...De repente, semi-cerrava os olhos, espetava as orelhas,aí estava, tinha-me avistado. Minha mãe podia começar a preparar-me o lanche! Esta teve mais sorte que o meu gato Manipanzo: viajou co os donos, foi sempre acarinhada por todos. Dela guardamos algumas fotografias com que hoje, além do afecto que guardamos,podemos testemunhar a sua presença na nossa vida!

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

O TOBI DESCONTRAÍDO...

O POM - POM

Foi o primeiro gato da Sara e da Rita.Numa noite de Natal preparavamo-nos todos para a Consoada,na casa do Largo de S. José. Bateram à porta. A Rita foi  ver e do lado de fora tinham colocado um cesto...Lá dentro estava um lindo gatinho, quase bebé, branco com manchas acinzentadas e algumas riscas pretas; tinha olhos verdes e uma longa cauda, riscada também, no sentido transversal. O pai natal tinha passado por ali e deixado aquela alegria para todos!
O gato foi logo chamado de Pom - Pom e andava de colo em colo com aquela familiaridade de quem sempre conheceu os novos  amigos! Não será preciso dizer que  as restantes prendas todas diziam respeito ao gato: as malgas,a alcofa, a escova, o shampoo, a comida...
O Pom - Pom começou a crescer, ambientou-se rapidamente ao novo espaço e era um grande caçador de ratos e de pássaros.Quando os donos se ausentavam, ficava ao nosso cuidado. às vezes cvinha aqui a casa com as minhas netas , outras vezes no carro com toda a família. Mas...numa manhã teve o azar de ficar preso numa janela da casa da vizinha e acabou por lá morrer estrangulado. Estávamos no Faial. A Rita disse-nos por telefone e foi uma dor, aquela notícia. Não conseguimos superar a emoção e naquela noite ninguém conseguiu dormir! Ficou uma grande falta, porque o Pom - Pom era cativante, inteligente e tinha grande alegria de viver!
O seu espaço continua por acupar no coração de todos os que gostaram dele  e se deliciaram com a sua breve companhia!!!

domingo, 22 de janeiro de 2012

O TOBI

Era do nosso vizinho mas cedo se deixou cativar pela nossa neta Rita. Ainda muito pequena, começou a chamá-lo e afagava-lhe carinhosamente a cabeça a tal ponto que o Tobi parecia sorrir.Depressa ficaram amigos e depressa também começou a frequentar a nossa casa. Sentia-se cá bem e até se podia dizer que a nossa casa era a sua morada preferida. Frequentes vezes, esperava , fora do portão uma oportunidade para entrar. Tornou-se também amigo e protector duma cadelinha preta e aleijada que andava por aí, sem dono, e que depois viria a ser a nossa Pituxa.O Tobi também gostava de ir connosco à missa, quando , durante o verão, íamos a pé , aos sábados à tarde. Ficava fora enquanto durava a cerimónia e, ao sairmos, lá estava ele à espera para nos acompanhar à nossa frente, e a trote, na Avenida da Paz, bem como de toda a nossa rua, até a casa. Quando os donos se ausentavam mudava-se para cá. Trazíamos-lhe a casota e todos os seus apetrechos e ele, feliz da vida, instalava-se no alpendre da nossa entrada. Uma certa vez apareceu, num dia muito chuvoso e de vento, extremamente cansado, sem poder andar, trazendo nos olhos uma enorme tristeza. Fiz-lhe uma cama de jornais sobre o chão molhado da chuva, pus um guarda - chuva a protegê-lo do vento e o Tobi percebeu perfeitamente que devia aproveitar aquele acolhimento. Deitou-se e ali ficou até que as forças voltassem. Era baixote, com uma cauda muito branca e felpuda que se agitava graciosamente quando corria à nossa frente. O dorso era cor de mel. O focinho ponteagudo com orelhas também felpudas e caídas.Mas o que mais impressionava eram aqueles dois olhos expressivos, quase verdes com que meigamente nos olhava e nos sorria , revelando uma inteligência muito fora do comum num animal.Algumas vezes libertei-o de carraças que trazia nas patas ou nas orelhas. O Tobi não recebia muita atenção dos donos e passou a receber muito menos desde que começou a coxear, por uma das patas ter ficado mais curta.Isso, porém , não o impedia de fazer a sua vida normal: corria, brincava, ladrava, defendia o seu território como se nem sequer se apercebesse da sua limitação. Mas, talvez por não corresponder ao estatuto que ostentavam os seus donos, o Tobi deixou de aparecer...E um dia , que sempre chega, o Tobi não voltou.Os dia sucederam-se sem que ele viesse. A Rita perguntava, perguntava...Ninguém sabia de nada!Só que passado pouco tempo apareceu na casa dos donos um cão de raça, de elevada estatura que foi ostentado como um verdadeiro exemplar ,já compatível com o estaturo social da família. Quanto ao Tobi, bonito, afável, inteligente, mas coxo, esse desapareceu para sempre! Temos a sua fotografia que nos ajuda a recordá-lo com todo o carinho que sempre lhe dedicamos.

POSES DA DUQUESA

sábado, 21 de janeiro de 2012

A "DUQUESA"

Era no mês de Setembro. Quase no fim! Mas na nossa casa pairava ainda a sombra densa e dolorosa da partida do Tibério. Havia pouco mais de dois meses que a morte nos visitara, levando consigo o filho querido! O silêncio que então se abatia sobre as nossas vidas era quase insuportável! Mas numa dessas noites, deitada de olhos e ouvidos acordados comecei a ouvir miar...Era um gatinho bebé.Logo na manhã seguinte pude prová-lo : ao sair para a escola lá estava "ela", muito pequenina, mal se segurando nas patas, mas caminhando de um lado para o outro e a miar.A sua linda pelagem fazia lembrar um tigre bebé! Trouxe-lhe uma malguinha com leite. Ensinei-a a beber, lambendo nos meus dedos e deixei-a, de novo lá no jardim, dividida entre a vontade de a ter comigo e a esperança de que se afastasse. Nessa tarde ainda lá estava. E no outro dia e no outro. E sempre o leite para lhe matar a fome.
A reentrada em casa continuava, entretanto a ser muito penosa. O silêncio pesado e a penumbra da tarde faziam da nossa casa um outro túmulo. Então decidimos deixar entrar aquela gatinha cor de tigre que o destino viera deixar à nossa porta. Ao sentir-se acolhida mostrou-se feliz. Sentou-se logo ali e começou a ocupar-se com a sua pelagem.Depois foi a aprendizagem para usar a caixa de areia que já tínhamos preparado. E pronto, estava encetado um convívio que viria a perdurar por mais dezassete anos! Um mês depois deste encontro veio viver connosco para o Pico da Pedra. Quando teve a sua primeira ninhada mudou-se de dentro de casa para a varanda, onde havia uma casota de madeira e uma caixa de areia. Cuidava dos filhos com desvelo e vivia feliz. Da segunda ninhada nasceram o Tareco e o Farrusco que ficaram sempre com a mãe. Houve também uma temporada em que ela passou a dormir dentro de casa. Ao serão, a Duquesa adorava o calor do colo ou então deitar-se junto da lareira a arder, nas noites de inverno. Estava sempre presente com uma postura altiva, bela e inteligente. DUQUESA era o seu nome que lhe assentava lindamente e de acordo com a sua personalidade.
Às vezes, no meu colo, ouvindo-me chorar, trepava pelo meu peito, miando alto e, quase tragicamente, me fazia sentir que não podia ouvir o meu choro.Assistiu a muitas histórias da minha vida, umas de alegria, outras de dor.Foi testemunha dos meus mais profundos sentimentros, pois era a minha fiel companhia.Prescrutava com grande acuidade os meus sentimentos: se pressentia que eu estava bem disposta e feliz ela vinha passar o dorso pela minhas pernas, dar umas cabeçadas de meiguice e como que desenhava um belo sorriso no seu semblante. Mas noutras alturas em que o meu humor de momento não era dos melhores, olhava-me um pouco de longe com um olhar sério ,de pupilas exageradamente dilatadas.Olhava-me assim demoradamente até o " mau tempo " passar.Um dia teve um precalço: caíu no balcão pequeno, não se sabe vinda de onde, e trazia a boca ensanguentada, os dentes partidos e toda ela era uma viva expessão de dor. Consolei-a quase desajeitadamente e trouxe-lhe um pouco de água para beber. Depressa se recompôs deste incidente e retomou a sua vida normal.E o tempo foi passando e a Duquesa, conforme as leis da vida , começou a envelhecer . Por questões de higiene voltou à sua casota na varanda, pois com uma inflamação que lhe surgiu na boca começou a babar-se. Nas fases piores tratava-se na Veterinária; nas alturas melhores ia vivendo, embora de forma limitada. E haviam passado dezassete anos! Já não podia subir a escadda que levava ao primeiro andar. Levava-a ao colo até haver degraus, o que ela comprendia e parecia agradecer. Chegado, entretanto , o mês de Setembro a Duquesa já tinha dificuldade em andar. No dia cinco as patas traseiras paralizaram, mas ainda se arrastava para comer.No dia seguinte foram as patas dianteiras que deixaram de funcionar, mas ainda bebeu um poco de leite comigo a segurar-lhe a cabeça. No dia sete, a Duquesa ficou numa espécie de coma. Havia uma sonolência constante, um vaivém entre a vida e a morte... Apagou-se ao fim da manhã, precisamente no dia em que eu estava a celebrar 65 anos de vida!Quando a acomodei para ela seguir o seu destino já estava fria e endurecida pela morte. Deitei-a numa caixinha, aconcheguei-a no seu cobertor habituaql e lá foi dormir para sempre no seio acolhedor da terra.
DUQUESA! Nossa gatinha tigrada, ficarás para sempre connosco, na nossa memória e no nosso coração. Fico-te grata, até ao fim da minha vida pela tua companhia e dedicação. Creio que por ti fiz tudo o que podia ser feito dentro das nossas condições. Agora, descansas,livre e liberta,da velhice e da doença que determinaram o fim da tua convivência connosco.
P S :Obrigada também por teres alegrado, ou tornado menos negros,aqueles dias em que chegaste à nossa casa em Ponta Delgada, quando a tristeza pesadamente se abateu sobre nós com a partida do nosso Tibério.

A " BONECA"


Uma burrinha branca que meu pai teve já eu era adulta e com os dois filhos e quando ia passar as férias ao Faial.
Era um animal muito manso e simpático. Apesar de já ter muita idade ainda ia connosco à "Boca da Ribeira", transportando no dorso a comida do nosso piquenique, o garrafão da água e ,uma vez por outra, um de nós aina lhe saltava para o dorso e fazia o percurso ao sabor do seu andar calmo e oscilante.
O que mais pareciava na "Boneca" era o seu silêncio e os seus olhos aveludados, com longas pestanas e que olhavam pacientemente o chão por onde seguia ou o campo onde se ficava a ruminar o pasto verde.
Gosta de ver aquela burrinha em casa de meus pais, não tanto por ser uma mais valia,mas por ser um leve sinal, uma doce imagem de outro tempo. O tempo da infância em que convivia com todos aqueles animais que ficaram para sempre meus amigos!
A " Boneca" acabou por adoecer e a sua muita idade não lhe permitiu continuar connosco. Um dia acabou por obedecer também à lei da vida: morreu para nós fisícamente. Mas no coração de cada um dos que a trataram e com ela conviveram ficou uma doce lembrança da burrinha branca e meiga que tanto alegrou a nossa vida!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

A "PINOTA"


Era também uma linda gatinha que apareceu bebé no nosso jardim.Deixamo-la entrar para o quintal e ali ficou vivendo.Muito gaiata, adorava caçar borboletas. Como dava grandes saltos decidimos chamar-lhe " Pinota" Era branca com manhas cor de cinza. Muito fresca, meiga e engraçada, alegrava a nossa vida. Mas a sua passagem foi muito breve. Numa certa manhã começamos a estranhar a sua ausência e passou um dia inteiro sem que nada soubessemos dela.Até que na manhã seguinte, o Vítor avistou o seu corpo morto atirado para um montículo de erva. Fora atropelada na estrada.
Ainda hoje guardo dela a imagem da sua vivacidade quando brincava.
Foi bom tê-la connosco ainda que por tão pouco tempo!

A "BICHANINHA"

Era uma gatinha muito preta com lindos olhos verdes.Começou a aparecer no nosso quintal da casa nº 75 da Estrada da Ribeira Grande, junto com muitos outros gatos que ali vinham.
Era muito fértil. Frequentemente nos dava a sua ninhada de gatinhos. Um encanto, como os apresentava: muito limpos, o ninho impecável, bem arrumado e ela feliz quando a íamos visitar. Mas o que mais me impressionava neste animal era o facto de que ,mesmo estando em casa, nunca subir acima duma mesa ou bancada da cozinha. Se a deixava entrar, ali ficava, sentada no chão olhando e esperando.
Nesse tempo ainda não eram vulgares as latas de alimento para gatos. Daí que lhes dava sopas de leite e restos de comida...
A Bichaninha viveu connosco muito tempo. Mas uma vez, em que estava de novo prenhe,e já se mexia com algum custo,apresentava uma tristeza estranha...
Assim desapareceu para sempre! Acredito que não tenha resistido ao parto dos seus lindos gatinhos!

O MEU TRIBUTO AOS ANIMAIS QUE FORAM MEUS AMIGOS E COMPANHEIROS


O MANIPANZO
O Manipanzo era um belo gato de pelagem cinzenta que lhe cobria uniformemente todo o corpo. O Pêlo era curto mas muito expesso, realçando , de froma particular, dois grandes olhos verdes. A sua estatura era fora do comum,isto é, demasiado grande comparado com os gatos ditos normais.
Um dia apareceu, já adulto. Chamamos por ele que não se fez rogado e entrou para ficar...Assim viveu connosco durante uns anos. Era um gato esperto. Conseguiu aprender o jogo das escondidas. Eu escondia-me atrás duma porta e chamava por ele. Quando me encontrava, ao meu grito de surpresa, dava um salto quase à minhha altura. Depois era repetir as vezes que se queria.
No entanto, tudo tem o seu fim. Tivemos de partir para o continente. Ele teve de ficar. Durante um certo tempo uma vizinha tentou alimemtá-lo e dava-nos notícias dele.Depois não se soube mais nada...
Peço-te PERDÃO, querido amigo, por te ter abandonado. Mas pode crer , foi a vida quem a isso me obrigou!...

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

CREIO... Louise Hay

Creio que o processo da vida tomará conta de mim!
...Vamos ter consciência de que estamos sempre seguros.
Há portas a abrirem-se e a fecharem-se, e,
se nos mantivermos concentrados em nós, então estaremos sempre seguros,
seja qual for a porta por que tivermos de passar.
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Depois de entrar ,gosto de deixar a porta, pelo menos entreaberta,
pelo menos de tal forma que possa sempre passar um pouco
da luz ou da esperança que vierem! Também penso que poderá
caminhar alguém após mim ... e quero que encontre uma porta por onde possa passar e prosseguir! Há sempre lugar para mais um... Há sempre mais uma porta que se abre!E a porta do coração,essa, estará sempre aberta, tanto para receber quem chega, como para dar luz, calor e esperança a quem parte...

domingo, 1 de janeiro de 2012

DICAS...DE LOUISE HAY


"Cada um de nós tem a luz do nosso amor dentro de si.
Podemos deixar essa luz brilhar para que nos conforte
e possa ser um conforto também para os outros.
............
Todos nós temos uma quantidade infinita de luz para dar.
Quanto mais dermos, mais teremos para dar..."