sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

O KING (continuando...)

Uma vez, o King foi ao veterinário à vacinação e fez tal banzé que arrancou o puxador fortíssimo duma porta do consultório. Não suportava o cheiro do lugar e só arrastado(injustamente) é que transpôs a porta de entrada. Quando mudámos de casa foi instalado no quintal, usufruindo de um largo espaço. Mas continuava com o vício de ladrar ao mais pequeno pormenor ou ruído e, se pressentia alguma visita, ladrava o tempo todo que a visita durava. Só havia uma solução : jogar a bola. Às vezes eu não podia mais ouvi-lo ,zangava-me com ele. Atirava-lhe pedaços de lenha da lareira para o chão, chegando mesmo a feri-lo numa pata, mas nada adiantava e eu ficava mais magoada ainda do que ele.Certa vez tivemos de nos ausentar e deixamo-lo no canil da Veterinária.Quando fomos buscá-lo tinha arrasado as cordas vocais com tanto ladrar... A sua voz que dantes era cavernosa, quase assustadora, agora soava incaracterística e desafinada.Era o King a sofrer sem compreender e nós sem compreendermos porque nos estava aquilo a acontecer!?Não obstante os aspectos negativos , o King era um animal mimado e muito mimoso:apesar de imensamente grande, adorava ser acariciado; encostava-se todo a nós e quase nos derrubava com a sua força mas era essa a forma de nos fazer sentir o quanto nos amava e quanto apreciava a nossa companhia. Quando almoçávamos no quintal durante o verão, umas vezes ficava amarrado, outra era deixado solto.Raramente estava sossegado: ou havia de farejar tudo o que havia, ou dava-nos cabeçadas inesperadas, ou quase virava tudo...Mesmo assim ,gostávamos da sua presença, pois quando se sentava era esbelto e quando se deitava sobre as patas, exibia uma postura nobre e de grande beleza. A pelagem tinha a caractrística dos da sua reça. Tinha, no entanto, os olhos esverdeados mas muito expressivos. Exibia também uma forte dentadura branca e uma grande língua rosada que nos momentos de satisfação,ou de calor, deixava cair, arquejando e como que a sorrir para nós! O pêlo era curto, exceptuando a cauda,que abanava vigorosamente, vergastando-nos as pernas nos seu momentos de euforia.

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