quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
O QUE MAIS GOSTAVA DE TER SIDO...
Conferencista - cientista - inteligente - bonita - alta em estatura física e moral - ser maestrina duma orquestra ou de um grupo coral famoso - ser " mulher/padre" ( no que toda a ANUNCIAR A PALAVRA, nunca para o exercício de culto).
O QUE MAIS GOSTAVA DE TER TIDO
Um cavalo - um grande espaço para ter muitos animais - uma boa voz para cantar - um carro pessoal- uma bonita cabeleira - um elevado grau académico - um estatuto social que me catapultasse para um contacto social alargado...
MAS, PRINCIPALMENTE...
TER
uma grande capacidade de aceitar os outros;
Ter as perguntas certas para conduzir a minha vida;
ter a sorte de ver os meus filhos e netas felizes:
ter a capacidade de controlar a minha mente;
ter a capacidade de ser serena;
e ter a sabedoria de ser totalmente LIVRE!
O QUE MAIS GOSTO DE FAZER
Conviver com os meus animais- tratar das plantas e dos anexos - anunciar (partilhar) a Palavra de Deus - fazer fotografia - escrever -ler - conversar - recordar - oferecer e repartir!
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
PARA ONDE QUERO IR?
QUERO SEGUIR JESUS DE NAZARÉ, optar por um caminho de liberdade, conduzir, EU MESMA, o meu barco; preparar-me com frequência para "PARTIR". Encontrar DEUS, rever todos os que me precederam nesta terra, ficar para sempre com Deus; ficar EM CASA e jamais "regressar"... E quero ter a certeza de que sou honesta comigo própria, quero despertar para a VERDADE; QUERO MANTER A MINHA OPINIÃO, EMBORA RESPEITANDO SEMPRE A DOS OUTROS.
O QUE ANDO A FAZER?
PROCURO O CAMINHO, partilho a Palavra de Deus, reflicto sobre "como viver?", escrevo sobre mim e para mim; trabalho na vida doméstica, leio, telefono aos amigos e familiares, recebo e acolho as minhas netas, converso com o Vítor, trato dos animais e das plantas, faço fotografias, rendas, bordados; partilho experiências, vou à Net, sigo os meus blogues...enfim faço um percurso linear e transparente, simples mas estimulante!
O QUE SOU?
SOU PESSOA :
mulher livre,
mãe,
professora,
SOU AMIGA
das pessoas, ainda mais dos animais, das plantas , das flores ,das árvores,
de todas as coisas criadas e das coisas que recebi dos meus antepassados;
SOU AMIGIA DA VERDADE
sou ímida e sensível, impulsiva mas condescendente, impaciente mas solidária,idealista e também pessimista...
Sou medrosa e enervada, irritável e nem sempre segura;
sou comunicativa e generosa; condoída e reservada...
sábado, 25 de fevereiro de 2012
Homenagem a uma AMIGA!
Não te direi "adeus"! Nem hoje, nem nunca mais...A esta hora o teu corpo frágil e envelhecido pelos teus oitenta e três anos (e dois meses) já repousa no conforto silencioso do ventre da terra. Não mais o verei! Em Abril passado, naquele domingo de ramos pude confortar-te nos meus braços, aconchegar a tua cabeça doente que tu, tão chorosamente, encostavas sobre o meu peito, pela última vez!Ainda agora ouço os teus gritos e os teus soluços, ainda vive em mim aquela força com que me seguravas perto de ti... Foi uma despedida definitiva...Porque não haverá mais despedidas entre nós. Lembras-te de eu te dizer: " Haja o que houver, vou estar sempre contigo"? "Que estaremos sempre juntas para todo o sempre"? Eu sei que naquele momento compreendeste o que eu te queria dizer. A expressão do teu ligeiro sorriso, o baixar dos teus olhos sobre o teu colo confirmaram com rara eloquência o significado daquele nosso momento.Qualquer uma de nós ali estava na " terra de ninguém" a marcar e a delinear o nosso futuro, sem mais testemunhas , a não ser Deus que tudo viu e abençoou!Mas, a partir de hoje, talvez dizendo melhor, a partir desse domingo , no Lar de Monte Redondo, ficou decidido por nós duas, de mútuo acordo, que a nossa amizade ficará vivendo para além do teu funeral, já que para mim hoje te encontras livre de todas as regras, de toda a mesquinhez, do desconforto, da solidão...e vives liberta na plena alegria, na total felicidade, junto de Deus e dos teus pais e irmãos. Tenho a certeza de que todos te receberam em júbilo e que agora, a familia de novo reunida, festeja a tua chegada ao reino da eternidade!
Estás livre, Maria Alice! Podes voar de céu em céu, de mar em mar,todo o universo cabendo no teu coração. Vejo o teu sorriso e a tua jovialidade de quando te conheci. É assim que me apareces agora, na plena vitalidade da vida e do futuro. Espero também que no dia da minha partida , não deixes de vir ao meu encontro para renovarmos, juntas, a festa de celebrar a amizade e a companhia que inciamos aqui na terra.
" Não te direi adeus", pois estrás comigo, sempre, como te disse no nosso último encontro. A tua fotografia continuará na minha estante, no salão,para que por meio dela te recorde e continue a alimentar esta amizade que partilhamos durante tantos anos!
OBRIGADA,mais uma vez, por todos os actos de bondade do teu coração! Ficas no meu para todo o sempre!!!
No que depender de mim, assim será!
domingo, 19 de fevereiro de 2012
A avó escreve de novo...SETEMBRO DE 2006
MINHA SARINHA
Estás quase a iniciar mais uma etapa nessa caminhada que se considera ser uma " preparação para a vida": estudar, ter boas notas, tirar um curso, ganhar dinteiro para...para...
Isto é o habitual,o razoável, eu diria, talvez mesmo o que a sociedade considera fundamental!...
No entanto, e pela experiência que a vida já me foi concedendo, comecei a sentir que, se calhar, estaremos a esquecer-nos de que o essencial a todo o ser humano é que se sinta LIVRE (no verdadeiro sentido do termo) e que o seu principal objectivo não seja o TER mas sim, e sobretudo, o SER!!!
O indivíduo devia valer mais pelo que É do que pelo que TEM ; devia ser este o lema universalmente assumido pela sociedade. Sabemos, porém, que se faz exactamente ao contrário. E os resultados estão aí...
Espero, no entanto, querida Sara, que consigas, no meio desta agressividade toda que nos rodeia, encontrar o equilíbrio que te leve à descoberta de melhores ideais, para que possas dizer a toda a gente e a ti própria,que és livre e feliz, que vives e fazes viver! Este será mais um ano para caminhar ao encontro da tua realização pessoal. Fico a " torcer" para que saibas encontrar a melhor forma de o fazer. Tal com à tua irmã, lembro-te de que a natureza te deu imensos dons. São para tu os usares, naturalmente em teu proveito e no dos que te amam e te cercam.
Serás tanto mais feliz, quanto mais fizeres render os dons que gratuitamente recebeste... É com eles que deves contar!
a avó que te abraça!
sábado, 18 de fevereiro de 2012
UMA CARTA ...
ANO LECTIVO DE 2006/2007
MINHA RITINHA
Estás quase a comçar uma nova experiência na tua vida!Acho que estamos a chegar a um tempo importante! Pela primeira vez,depois de alguns anos, não te vou esperar para o almoço, nem para passarmos a tarde a ver "os morangos com açúcar" ou " quem quer ganha"...Vou ter saudades dessas horas mas sei que tem de ser assim.
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Gostava de te dizer que será sempre bom estudar um bocadinho desde o primeiro dia, pois isso te fará crescer e ver a vida por prismas diferentes.Mas lembra-te, sobretudo, de que para lá do estudo, há uma coisa mais importante para a nossa vida e que é a ESCOLA DOS AFECTOS............................................
Enquanto que os livros te dão informação, na "Escola dos Afectos" aprenderás o amor,a responsabilidade, o respeito,a gratidão, o valor do trabalho, que te darão a sabedoria de vida!
São pedrinhas de sal que dão sabor à tua vida. Por isso te digo que os aprendas, sempre que puderes...Também tens todos os dons de que precisas para seres feliz: és bonita, saudável, inteligente, generosa, sensível, alegre, divertida... Se souberes usar estes e outros dons que , gratuitamente , recebeste e os puseres a render em teu proveito e no dos que te rodeiam, encontrarás o caminho para seres uma pessoa livre, realizada, capaz de amar e ser amada,dando, mesmo sem esperar receber.
Faz como o Menino Jesus : crescia em idade e em estatura, mas também em sabedoria e em graça!
Um bom ano de amor e felicidade!
a avó
que te adora!!!
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
A MINHA RELAÇÃO COM A ÁRVORE (CONTINUAÇÃO 3)
Todavia, o maior carinho vai para aquelas que vi nascer ou que ajudei a crescer à minha volta: a criptoméria que veio do Pico do Fogo e que eu encontrei caída ao lado da estrada,com a raíz ainda mergulhada na terra mas semi -arrancada, num terreno que se desmoronou. Ali jamais podia crescer. No nosso jardim, a criptoméria bebé é hoje um monumento verde de força e elegância que o vento embala e que os pássaros animam com seus gorgeios. E a Faia que nasceu espontâneamente nos anexos da nossa casa. Resolvemos plantá-la mesmo na frente do jardim. E hoje, grande e copada, é ponto de encontro da passarada que lhe procura as bagas ou os ramos densos, enquanto à mesa, vamos tomando a refeição... É ponto de chegada e de partida, de bater deasas, de vida a palpitar em força e liberdade....E o Incenso que também espontâneamente nasceu no quintal e que nós, carinhosamente deixamos crescer ao longo dos anos...É ver hoje o seu grosso tronco, a densa folhagem verde negro, o perfume das flores brancas e miudinhas e o colorido das bagas cor de cenoura. Está em frente da janela, mesmo no meio do nosso pequeno quintal.É ponto de encontro dos pardais que chegam do vôo e que depois partem outra vez; é local de namoro para os melros pretos que ali se escondem soltando assobios e gritos de alegria ou de espanto! Já teve ninhos nos seus braços, já sofreu uma poda radical, mas de novo se cobriu de verde e ali está, minha companhia, meu deleite para os olhos e para o coração.
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E para todas as outras árvores , minha vizinhas, as nespereiras que agora se vestem de branco, a laranjeira azeda que ostenta os frutos redondos e amarelos, a anoneira que esconde na folhagem os grandes e pesados frutos, o pinheiro e o cedro que cresceram juntos como irmãos no nosso jardim,enfim, para todas elas vai o meu apreço, um grande carinho, um imenso desvelo como seres vivos que dão vida e que se dão generosamente na vida!
Benditas sejam todas as árvores!
Bendito seja o SEU CRIADOR!
A MINHA RELAÇÃO COM A ÁRVORE (CONTINUAÇÃO)
A árvore quando morre fica de pé. Perdeu o verde, perdeu o viço. Só os ramos ficam a aponatr o caminho do céu que está por cima.Assente sobre o solo, permanece o tronco grosso mas sem seiva. Debaixo do solo continuará por mais algum tempo a vigorosa raiz que segurou e alimentou o gigante. E, lentamente, tudo se vai acabando... Um dia, já quando ninguém se lembrar da árvore, ainda se hão-de encontrar braços de raízes , ou pedaços de tronco e se pensará:" aqui deve ter vivido uma árvore!
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Gosto de todas! E cada uma que cai antes de morrer pelas mãos e pela insensatez do homem, vai com ela um pedaço da minha vida. O meu coração goteja um sangue doloroso que me queima, quando ouço o zumbido da serra mecânica!
Gosto de todas, mas a araucária da Ribeirinha, junto da igreja e o castanheiro antigo do caminho da "boca da ribeira" têm um lugar muito secreto no meu coração. Mas a verdade é que nele cabem bem todas as árvores do mundo: das antigas sequóias americanas aos velhos e ancestrais embondeiros de África, dos simples e perfumados incensos da minha ilha, às elegantes e belas faias de verde negro...todas me merecem a mais profunda admiração e o mais grato reconhecimento.
A MINHA RELAÇÃO COM A ÁRVORE
BELEZA E MAJESTADE!
Vida longa, longa história para contar...
É o livro aberto de muitos invernos e primaveras,de muitas alegrias e dores, de vidas que vieram e se foram...
Quando olho para uma árvore, vejo nela a verticalidade, o aprumo, a generosidade...Quando me abeiro duma árvore aprecio os seus verdes, o recorte da folhagem, a sinuosidade dos seus ramos, o vigor do seu tronco. Quando sobre ela pousa a minha mão há um tremor que me chega, é como a vida a passar para mim,é uma linguagem que ainda não percebo bem mas que vai até ao fundo do meu coração, passa à minha alma e me segreda: - Aceita a vida, esta vida que te dou, esta força que sentes passar através da tua mão que me toca.Quando colho os frutos tenho o peito a rebentar de gratidão. Procuro tirá-los com delicadeza, sentindo muita pena se me distraio e me entusiasmo criando o perigo de ferir a árvore.
Árvore boa e meiga, como mãe que se dá generosamente, como casa que abriga! Lar de muitas aves e pássaros, refúgio doas calores e dos temporais. Pátio de cantigas ao desafio nos namoros de primavera; recanto de sombra e frescura nos sóis de verão! Minha árvore: gigante verde, de vários tons de verde, que te balouças ao vento, ou te perfilas com elegância nos dias calmos...Quando te olho não consigo esquecer a semente que te guardou no seu seio, mas que um dia te convidou à vida oferecendp-te tudo aquilo que é árvore: raízes, tronco, ramos, folhas, flores e frutos. Trouxeste tudo contigo quando brotaste da semente pequenina! E tudo o que tens é para dar!
Bendita árvore! Sê bendita para sempre!
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
MINHA RELAÇÃO COM O VENTO
NÃO GOSTO DO VENTO!
Sei que é útil na polinização,na sua força motriz, quando leva para longe o pó e o fumo da atmosfera...Quando nos refresca a brisa ou nos faz suados, soprando do quadrante sul!
Mas o vento traz-me insegurança. Sei que não o posso vencer, nem sequer controlar... Traz-me constrangimento quando, selvaticamente, agita e derruba as débeis flores ou os caules tenros das plantas, ou faz vergar e partir os finos troncos das árvores jovens e desprotegidas!
Qando sopra sobre as culturas das hortas e dos campos e deixa de lado os caules exaustos, cobertos de negro, sinto que o vento não devia existir...Com a sua força indomável o vento arranca impiedosamente as àrvores seculares, de grossos troncos, velhos e poderosos gigantes que perdem na luta desigual e ficam arrastando pelo chão a majestade e o esplendor de dezenas de anos!
Recordo os dias de vento na Ribeirinha.Lá em cima, na lomba fronteira à minha casa, o moinho girava loucamente com a força do vento rijo e forte. O meu avô lá estava a controlar o pano das velas com toda a sabedoria. E eu, da minha porta, ficava a observar e tentava adivinhar quanta força nos braços do meu avô para vencer o vento!
Uma vez, sendo ainda muito pequena, saí com a minha mãe num dia de forte vento.Num local próximo da minha casa havia um álamo secular que se contorcia contra a forte ventania. Não me recordo porque deixei a mão que me segurava. Quando dei por mim o vento já me tinha levantado no ar para me atirar ao chão um pouco mais adiante, junto ao velho álamo. Gritei, aflitivamente com o medo de cair e mais dolorosamente chorei quando vi a minha mão esquerda aberta num grande golpe pela areia do caminho.Foi um mau dia para mim e a sua recordação ficou para sempre na minha vida associada ao medo que nesse dia nasceu e que ainda hoje perdura.O vento era o meu terror e o meu fantasma quando me obrigavam a ir sozinha para a escola , num dia de vento forte!
Que medo! Que solidão! Era então grande o meu desamparo e só queria voltar para casa!
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
A MINHA RELAÇÃO COM O AMOR...
Acho que não sei bem o que é o Amor...
Neste momento, porém, estava a considerar aquele sentimento que une duas pessoas, principalmente de sexos diferentes. Mas depressa me viro para outro lado e descubro a mãe com o filho nos braços, a fidelidade dos pais para com os seus compromissos, a solidariedade desinteressada de quem se deixa ficar ao lado dos que precisam ou dos que já não podem...Descubro a serenidade de saber perdoar a ofensa, de retribuir o insulto ou a insinuação com um olhar sereno, com uma palavra calma; Descubro um oceano no lugar do coração onde se possam guardar todas as atitudes, todos os medos, as inseguranças, as quebras de confiança, mas também os dias felizezs, as horas de harmonia, as canções ouvidas, as lágrimas choradas, ou os carinhos trocados, os silêncios doces ou as esperanças partilhadas!
Sinto que tudo cabe no amor, sinto que é por ele que tudo vive e acontece... O Amor será ,portanto,muito mais que aquele sentimento que nasce entre duas pessoas que se aproximam. Não creio mesmo que seja essa a condição fundamental para que ele aconteça...Uma atracção pelo diferente,uma birra com o destino, uma obstinação contra os obstáculos poder-se- ão confundir com amor!?
Mas o amor não precisa de nada. O amor ama simplesmente: não cobra, não desconfia, não agride. Só sabe entender porque se esquece de si mesmo. Se calhar, é deste tipo de amor que fala Jesus ao dizer:" quem Me quiser seguir negue-se a si mesmo ..." . Quem está amando não se lembra de que tem direitos, apenas tem amor para dar; não espera recompensa, apenas lhe interessa espalhar alegria, apenas quer restabeleccer a harmomia e a paz onde elas foram destruìdas.Quem ama não traz a guerra para um coração sem paz. Quem ama não vai ferir quem já chegou coberto de feridas.Quem ama entristece-se com a tristeza de quem chega cansado do sofrimento, limpa de nuvens esse céu carregado e faz brilhar um novo sol no coração apertado pela dúvida.
Este seria o AMOR que eu gostava de ter vivido e experimentado, este seria o amor que eu gostava de ter recebido e recordado!
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
A MINHA RELAÇÃO COM O CÉU
Frequentemente olho o céu. E sempre foi assim ,desde pequenina! Nele gosto de ver o sol brilhante de Agosto, a lua cheia de Janeiro e montes de estrelas nas noites sem lua...Quanto mais escura for a noite mais estrelas se podem contar. Até chego a escolher esta ou aquela:verde, azul, amarela ou vermelha, tremeluzindo ou simplesmente parada...Todas são minhas companheiras na noite.Cheguei mesmo, através duma que me parecia especial, a localizar o Tibério e como que o via sorrir-me,de lá, da imensidão do universo!...E nessa estrela busquei força para caminhar e luz para os meus dias sombrios.
Gosto também de ver a lua redonda e brilhante surgir atrás do pinheiro nosso vizinho, engastada num céu leitoso de verão. Fico a olhar através das janelas da nossa casa este cenário de total quietude, de serena beleza.
Gosto de ver o céu pintado de laranja e vermelho, lá ao longe no poente, onde o sol se esconde, mergulhando ensanguentado no mar; ou então no dourado do amamnhecer, onde as tintas suaves do nascer do dia no-lo trazem de volta, agora brilhante e vitorioso.
E as nuvens! Tanto tempo a olhá-las: umas vezes todas ligadas ,tecendo uma manta de cinza com que cobrem as ilhas, outras vezes, castelos brancos sobre o fundo azul,paradas no espaço; mas também "cavalos brancos" a galope nas asas do vento forte.
Uma tarde,em que ainda era pequena, para ser prestável a minha mãe que estava adoentada, fui para o tanque lavar as fraldas do meu irmão Henrique. Era um desses dias de muito vento e as nuvens , muito baixas, corriam por cima da minha cabeça, em grande velocidade! Que medo que eu tive! E como foi grande a minha solidão naquele momento!Como era negra a luz que me alumiava! Com esforço aguentei um bocadinho, mas ,se olhava o céu com o seu vendaval, perdia completamente a força e a coragem. Desisti e entrei em casa um pouco envergonhada do meu susto. Nunca contei a ninguém este meu medo das nuvens que o vento levava.
Hoje o céu é o livro aberto onde Se deixa ler o Criador:"vejo-O" no mar das estrelas, no manto das nuvens, no leite do luar, no ardor do sol. "Vejo-O também no azul clarinho dos dias e no azul negro das noites, na sua imensidão e no seu mistério!
O céu já foi para mim o lugar bonito ,mas distante,para onde eu iri depois da morte se me portasse bem. Agora o céu pode ser também aquilo que sinto de bom no meu coração, quando estou em harmonia comigo própria, com Deus e com os outros.
O céu é dentro de mim, também a visão e a morada do meu Criador!
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
A MINHA RELAÇÃO COM O MAR
Grande massa líquida prenhe de segredos e de mistérios.
Tenho por ele admiração e medo! Encantamento e êxtase!
Azul turquesa, cinzento de basalto, negro de breu, orlado de espumas brancas...Com lombas de água verde ou espelhando o céu limpo de nuvens, o mar é sempre o meu fascínio. Fico perdidamente a olhar o movimento da onda, o rendilhado da espuma, as franjas brancas espalhadas sobre a praia, os salpicos de sal fazendo ricochete nos pedregulhos, as águas brincalhonas que chegam às pocinhas escondidas e que surpreendem os caranguejos miúdos e os búzios que dormem na sombra dos penedos!
Desde criança me habituei ao rumor do mar. Foram muitos os dias e as tardes em que já adolescente ficava olhando o vaivém das vagas, esperando a chegada ás rochas da onda redonda que crescia lá fora e vinha deslizando em ritmo seguro até se espatifar nas pedras negras da costa. E atrás desta vinha outra e outra...
O Mar! O mar azul que nos separa mas que também nos aproxima. Do Faial para Lisboa tomei o caminho do mar em 1963. Durante uma semana ele me embalou no seu dorso quase sempre rebelde e encapelado. E este " passeio" sobre o mar havia de repetir-se outras vezes...Debruçada na amurada do barco, sempre que o enjôo não me atacava, ia olhando a água azul e tentava imaginar quantos dramas e segredos escondidos no seu seio, na sua profundeza! Os peixes grandes devorando os mais pequenos, estes a defenderem-se dos mais fortes; os tubarões nadando com majestade, as grandes baleias, donas dos mares comunicando em código, a alegria dos golfinhos , brincando em grupo nas ondas!
E à noite, a estrada de prata do luar e , de dia, as mil cintilações do sol de verão!
O mar lembra-me DEUS: é imenso, belo,profundo,manso,espelhado, outra vezes revoltoso, matizado de espumas...Umas vezes brando, outras avassalador. Mas tabém é generoso, forte, poderoso, encantador, infinito...
Deus, na sua grandeza, imensidade,profundidade, riqueza, majestade e conforto, reflecte-Se na imagem deste mar que me envolve e me fascina, que me atemoriza e me maravilha!
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
OS MEUS BRINQUEDOS ( continua)
Além dum terno de sala,com caixas de fósforos coladas e forradas a papel de lustro, era o fogãozinho azul clarinho, com três buracos, porta e forno; era o conjunto do fogareiro amarelo e o trem de cozinha verde e o tacho de alumínio que também fazia parte do trem de cozinha.
Depois o quarto com cama de madeira pintada de salmão, a boneca grande, a que me ofereceram na catequese e os bonecos de borracha que comprara com meu pai e que eram das poucas excepções ao Natal.
Gostava muito da mobília de madeira pintade de amarelo, da cadeirinha castanha, do ferro de passar a roupa, da máquina de costura, da viola... Cada um destes simples mas queridos objectos contam a sua história e essa história fica povoando o meu coração, adoçando a mimha vida, sendo alimento e lenitivo, fantasia e maravilha!
Não me recordo de qual foi o último dia e a última vez que brinquei. Sei apenas que os deixei lá, nos seus lugares e fui embora para o liceu.Não pensei que , ao voltar,algo em mim se havia de transformar para sempre.Nunuca mais nada seria como dantes. E o tempo, os cataclismos, o esquecimento, a ausência foram-se encarregando de dispersar os meus brinquedos, uns destruídos, outros perdidos, outros levados... Nada ficou senão a minha recordação, a minha saudade e uma vaga culpa de não os ter levado comigo.
Mais de meio século já rolou no tempo!Mas, guardados na minha memória, os meus brinquedos vão ficar comigo para todo o sempre. Da melhor forma que fui capaz, acabo de os reproduzir em desenho para que , quem os vir possa avaliar o quanto fui feliz com todos eles!
OS MEUS BRINQUEDOS
OS MEUS BRINQUEDOS DE HÁ 55 ANOS!!!
OS MEUS BRINQUEDOS
Ainda hoje despertam em mim o maior enlevo e uma doce saudade! Receio, no entanto,não ser capaz de os recordar a todos como devia e como o coração exige que faça....
Estavam sempre bem arrumados nas prateleiras dum armário de parde que me foi cedido para o efeito. Três divisões no armário, três divisões na casa das bonecas: a de cima, o quarto de cama, a do meio ,a sala e na prateleira mais baixa, a cozinha. Em cima dum banco tinha acesso a todos os brinquedos e com eles passava muitas horas do meu dia.Umas vezes sozinha,outras com amigas. Até aos dez anos e meio brinquei despreocupadamente. O mundo era meu! Pelo menos aquele mundo que eu criara perto de mim e que eu julgava ser o mundo todo, já que nele tinha tudo e não precisava de mais nada!Cada brinquedo correspondia na minha vida a um momento de alegria e de espanto! Pois só os havia no Natal e cada um deles era desejado e pedido, por carta, ao Menino Jesus! E Ele não falhava um único pedido! Era simplesmente a maravilha!
domingo, 5 de fevereiro de 2012
A BORBOLETA MIUDINHA...
Era pequenina mas multicolor: verde, amarela, bolinhas de tons escuros salpicando aqui e ali...
De asas coladas, antenas perdidas, jazia de lado e morta no passeio por onde eu caminhava. Por pouco não a pisei também com os meus pés... Segurei-a então entre os dedos durante alguna metros do percurso. Queria trazê-la para casa, vê-la com a lupa, descobrir mais segredos do seu corpo,ou ainda alguma magia de ser borboleta...
Depois sonhei que a via voar pelos campos banhados de sol, saltitando de flor em flor, como se ela mesma fosse uma flor. Então disse para ela: - " tu és daqui, do espaço livre, dos verdes e dos azuis do ar. É aqui que tu pertences, é aqui que te vou deixar... Suavemente deitei-a de novo,debaixo duma ervinha, sobre o muro. Ali ficará até que o vento a leve de mansinho nas suas asas, ou até que a terra a absorva outra vez no seu seio.
Um dia será flor ou borboleta...Ou será simplesmente VIDA!
RECORDANDO UMA CADELINHA PERDIDA...
" LENA "
Na nossa marcha diária de 30 mn chegamos a um cruzamento. Do lado direito vinha descendo uma cadelinha loira. Muito magra, mas muito decidida a juntar-se a nós. A cauda felpuda abanando lentamente e o seu olhar muito triste e meigo, foi o que ela teve para nos saudar... E assim nos seguiu , sempre em silêncio, umas vezes atrás de nós, outras na nossa dianteira. De vez em quando parava para nos olhar. - " Posso ser o vossso cão?"...Vou chamar-lhe LENA. Foi o " nossso cão" até ao portão de casa. Ao entrarmos e ao fecharmo-la do lado de fora, acabaram-se os sonhos de Lena: ter um dono, uma casa, uma malga de comida, uma coleira para passear...
Ficou um pouco espantada e, sempre triste,afastou-se em silêncio...
Mais tarde voltei ao portão, já se tinha ido embora. Desaparecera! O meu coração também não entrou todo em casa.Um pedacinho ficou com Lena. Não lhe servirá de nada, nem sequer a mim. No entanto é coisa que não sei evitar.
Desculpa, querida cadelinha, a mim que não tive coragem de vencer pequenas barreiras para te adoptar e desculpa também quem te abandonou tão cruelmente e, de forma tão leviana, se privou da tua companhia serena e dos teus olhos meigos.
Mas, sobretudo, é para mim que eu peço perdão , a ti e a Deus,por ter deixado escapar mais esta oportunidade de dar amor a quem, por sinal, tanto o merecia e tanto dele parecia precisar!
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
UM TRIBUTO AOS ANIMAIS MEUS AMIGOS
A DOMINIQUE - CONTINUAÇÃO
...Geralmente, de manhã, preparavamo-nos para sair para a Escola. Ela já conhecia os movimentos peculiares da saída e ia deitar-se debaixo dum armário da sala de jantar. A alegria só voltava quando havia o nosso regresso. Então eram gritos,correrias, tremuras...Tanto que fazer: receber as carícias, comer, satisfazer necessidades vitais no quintal... Enfim,com os amigos voltava-lhe a alegria de viver. Frequentemente tinha de tomar banho para o pêlo ficar brilhante e fofo. Gostava de se molhar e enxugar. Quando, porém se terminava e a soltava, corria desalmadamente pela casa toda, com travagens muito bruscas aqui e ali e que nos faziam rir a bandeiras despregadas. Nos últimos anos de trabalhho na escola ,chegava a casa muito cansada. Lanchava um pouco e encostava-me um bocadinho no sofá da sala de estar. Ela, então, vinha aninhar-se ali e assim ficávamos gozando a mútua companhia.
Mas, como tudo na vida,a Dominique começou a aproximar-se do seu fim. Urinava mal, começou a ter falta de ar, enfim, lá vieram os medicamentos e assim se manteve até aquele dia da Maio de 1991 em que , já com grandes aflições, pediu para ir ao quintal. Levei-a nas minhas mãos e coloquei-a docemente no chão junto das azáleas. Momentos depois, vendo-a deitada, lhe perpassou pelos olhos e pelo corpo o manto da morte. Depois foi só a paz.
O vento veio agitar-lhe um pouco a pelagem cor de canela que eu tantas vezes tratara. E a Dominique partia da minha vida perante o mau ar atónito e o meu coração destroçado.
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Querida cadelinha Dominique
continuo grata pela tua companhia e pela grande amizade que nasceu do teu convívio.Guardar-te-ei sempre na minha memória mas, e principalmente, no meu coração, enquanto isso me for possível!
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
DOMINIQUE
Era a nossa cadelinha pequinês, de pelagem comprida, cor de canela, cauda muito felpuda, focinho achatado e com dois olhos castanhos e enormes.
Desde algum tempo que os meus filhos manifestavam o desejo de ter um cãozinho...Até que um dia os nossos vizinhos proporcionaram a oportunidade desse desejo se concretizar.
Depressa começamos a usufruir da presença da Dominique, pois foi este o nome escolhido.Rapidamente, porém, surgiram os problemas: ao cair nos degraus de cimento feriu um dos olhos( a parte, por ventura, mais vulnerável do seu corpo). Sofreu por algum tempo, com remédios, idas ao veterinário, mas acabou por ficar apenas com uma pequena cicatriz.Era muito esperta e ladina. Adoptou-me como sua dona e ninguém se podia aproximar de mim se estivesse no meu colo.
Bastava falar-se em " miche-miche" (gato), ela entrava num transe de tremuras pois a visão ou a presença dum garo punha-a fora de si.Também cedo associou a palavra "cesto" ao acto de sair, bem como "colar" e "quer ir". Além destes termos, reagia freneticamente se ouvia " bião" (avião). Gostava muito de viajar de avião o que fez connosco anos a fio, quando passávamos férias no Faial. "- Dominique, queres ir, muito longe , no bião"?-Ela ficava fora de si, de contentamento. Quando andava com fome, punha-se a olhar-me fixamente e cirandava à minha volta, até que lhe perguntava .- Queres comer? Estava resolvido, sentava-se a esperar. De início comia mal, mas a partir duma vez em que ficou com a sua família parental, enquanto fomos ao Faial, passou tanta fome que a partir daí nunca mais teve fastio.Recordo-me de que quando a fomos buscar, lá andava ela entre os outros, seus irmãos, mas de cauda caída, olhar abstracto...Depois de me reconhecer, como se acendeu uma luz nos seus olhos e deitou-se ao meu lado no muro onde eu estava sentada, descansando, enfim, a sua cabeça sobre o meu braço.
Viveu connosco durante catorze anos. Foi uma grande longevidade, e uma grande amizade nos uniu aquele animal durante todo esse tempo.
Poses da cadelinha Diana
O meu tributo aos animais ,meus amigos, que comigo partilharam a vida, a companhia, a alegria,a meiguice, a graça e a gratidão!
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