segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

MINHA RELAÇÃO COM O VENTO

NÃO GOSTO DO VENTO! Sei que é útil na polinização,na sua força motriz, quando leva para longe o pó e o fumo da atmosfera...Quando nos refresca a brisa ou nos faz suados, soprando do quadrante sul! Mas o vento traz-me insegurança. Sei que não o posso vencer, nem sequer controlar... Traz-me constrangimento quando, selvaticamente, agita e derruba as débeis flores ou os caules tenros das plantas, ou faz vergar e partir os finos troncos das árvores jovens e desprotegidas! Qando sopra sobre as culturas das hortas e dos campos e deixa de lado os caules exaustos, cobertos de negro, sinto que o vento não devia existir...Com a sua força indomável o vento arranca impiedosamente as àrvores seculares, de grossos troncos, velhos e poderosos gigantes que perdem na luta desigual e ficam arrastando pelo chão a majestade e o esplendor de dezenas de anos! Recordo os dias de vento na Ribeirinha.Lá em cima, na lomba fronteira à minha casa, o moinho girava loucamente com a força do vento rijo e forte. O meu avô lá estava a controlar o pano das velas com toda a sabedoria. E eu, da minha porta, ficava a observar e tentava adivinhar quanta força nos braços do meu avô para vencer o vento! Uma vez, sendo ainda muito pequena, saí com a minha mãe num dia de forte vento.Num local próximo da minha casa havia um álamo secular que se contorcia contra a forte ventania. Não me recordo porque deixei a mão que me segurava. Quando dei por mim o vento já me tinha levantado no ar para me atirar ao chão um pouco mais adiante, junto ao velho álamo. Gritei, aflitivamente com o medo de cair e mais dolorosamente chorei quando vi a minha mão esquerda aberta num grande golpe pela areia do caminho.Foi um mau dia para mim e a sua recordação ficou para sempre na minha vida associada ao medo que nesse dia nasceu e que ainda hoje perdura.O vento era o meu terror e o meu fantasma quando me obrigavam a ir sozinha para a escola , num dia de vento forte! Que medo! Que solidão! Era então grande o meu desamparo e só queria voltar para casa!

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