domingo, 5 de fevereiro de 2012
RECORDANDO UMA CADELINHA PERDIDA...
" LENA "
Na nossa marcha diária de 30 mn chegamos a um cruzamento. Do lado direito vinha descendo uma cadelinha loira. Muito magra, mas muito decidida a juntar-se a nós. A cauda felpuda abanando lentamente e o seu olhar muito triste e meigo, foi o que ela teve para nos saudar... E assim nos seguiu , sempre em silêncio, umas vezes atrás de nós, outras na nossa dianteira. De vez em quando parava para nos olhar. - " Posso ser o vossso cão?"...Vou chamar-lhe LENA. Foi o " nossso cão" até ao portão de casa. Ao entrarmos e ao fecharmo-la do lado de fora, acabaram-se os sonhos de Lena: ter um dono, uma casa, uma malga de comida, uma coleira para passear...
Ficou um pouco espantada e, sempre triste,afastou-se em silêncio...
Mais tarde voltei ao portão, já se tinha ido embora. Desaparecera! O meu coração também não entrou todo em casa.Um pedacinho ficou com Lena. Não lhe servirá de nada, nem sequer a mim. No entanto é coisa que não sei evitar.
Desculpa, querida cadelinha, a mim que não tive coragem de vencer pequenas barreiras para te adoptar e desculpa também quem te abandonou tão cruelmente e, de forma tão leviana, se privou da tua companhia serena e dos teus olhos meigos.
Mas, sobretudo, é para mim que eu peço perdão , a ti e a Deus,por ter deixado escapar mais esta oportunidade de dar amor a quem, por sinal, tanto o merecia e tanto dele parecia precisar!
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