segunda-feira, 23 de março de 2015

É DEZEMBRO...

A  noite caiu a meio da tarde. O cinzento negro do céu tudo cobriu e inundou. A chuva rala vai estalando no chão e nos vidros da janela. Não se vê nada sem a luz eléctrica ...Aproxima-se o dia de Natal! Não sei se quero que ele venha. Estou triste e abatida. Divorciei-me do encanto e da magia desta quadra. Só  me apetece estar calada e quieta. Simplesmente ficar parada olhando sem nada ver!
O trigo já nasceu, a ervilhaca também,mas não tenho apelo. Não há respostas. Só silêncio! No entanto, vou continuar a esperar que um ventinho fresco venha despertar meu coração e fazê-lo acreditar que nada ainda terminou, e que é tempo de viver. Vou chamar a minha força interior e nela encontrar motivos para que possa sorrir em mais um Natal! Em casa reina o silêncio salpicado pelo tic-  tac do relógio. Lá fora o vento sopra húmido e triste. Para lá da vidraça já só vejo as silhuetas das árvores. É tempo de calar, de pensar e de meditar. E também de acreditar em que amanhã o sol virá outra vez e, se calhar, trará outro ritmo,outro apelo com que vestir o novo dia! 

sexta-feira, 20 de março de 2015

ACERTOS E DESACERTOS

"É possível estar no sítio errado à hora  errada"? Eu acredito que é possível e que acontece com muitas pessoas. Há sempre aqueles para quem a vida não dá tréguas. As coisas nunca encaixam nem se completam. Não obstante as tentativas feitas e os sonhos sonhados, a realidade acaba por surgir com  toda a crueza e realismo.
 Porém, estar na hora certa, no sítio certo é o que acontece à maioria, só que como não causa problemas deixa de ter  história.
 A vida é feita destes acertos e desacertos. Só que para alguns estes são diários, contínuos, intermináveis; enquanto aqueles são quase inexistentes.Diz-se que é o destino. Mas também se diz que a vida é o resultado das nossas escolhas. E como saber o que é melhor na hora de escolher, ou de optar? Será que alguém sabe? Eu respondo por mim: acho que  se escolhi alguma coisa na vida foi um mero acaso acertar. Normalmente não me dei conta de estar a escolher ou a optar. As coisas foram acontecendo e eu fui conduzindo a vida conforme as circunstâncias o tornavam possível. Daí que , se calhar, há mesmo um destino para cada um!(?) Se calhar, cada um de nós ao vir ao mundo traz um projecto para executar. Não se tratará , portanto, de horas certas ,nem de lugares errados !(?) Acontece , simplesmente. A vida vai, assim, sendo feita de acertos e desacertos, de encontros e desencontros, de momentos felizes e de outros mais sombrios. Porque a vida é composta de tudo isto e uma vez que se está vivo estará cada um a assumir o que lhe cabe!

segunda-feira, 16 de março de 2015

JÁ NÃO ESTÁ A DAR...

Faz hoje, precisamente um mês que passei por aqui, por isto que eu pretendo considerar o meu diário mas que é visitado com grande irregularidade. A convicção que me animava para ir registando os meus estados de alma está muito atenuada e aquela mola que me fazia  correr a mão sobre as linhas do caderno como que se partiu. Não encontro nada que valha a pena escrever: o passado já foi todo visto e revisto; o presente está vazio e despido de interesse ...( ou sou eu que não o encontro?)
Já andei uma boa parte do meu caminho e as marcas da caminhada são-me devolvidas pelo espelho, quando nele contemplo o meu rosto : um mapa de rugas onde o olhar perdeu o brilho , e os olhos o encanto. Por cima, a emoldurar o quadro , estão os cabelos grisalhos e sem graça e  que eu ,às vezes, prendo com ganchos, e outras vezes deixo-o ao acaso tentando encontrar a graça despretensiosa com que os usava na minha vida de juventude. O tempo passou demasiado depressa. Passou o tempo da vida activa na  sociedade, passou o tempo de ter filhos, passou o tempo de criar os netos, passou o tempo das iniciativas arrojadas, de passear, de viajar, de empreender...
Já tudo é muito pesado e medido, considerado e avaliado, antes de cada empreendimento. E alguns nem chegam a concretizar-se. A vida alterou-se, é preciso que se diga, e é necessário assumi-lo. Mas também é necessário continuar a viver na medida das actuais possibilidades!

sábado, 14 de março de 2015

Numa 4ª feira de 2012


Cá estou eu tentando atravessar mais uma tarde longa como têm sido, de resto, todas as tardes de ultimamente.Ando com uma preocupação de encurtar o dia, mas , por outro lado, não posso deixar de me impressionar com a correria do tempo, a vertigem dos meses e das semanas, a rapidez dos dias e das horas. Sei que inexoravelmente caminho para o fim desta  existência aqui, deste modo e neste lugar. E conquanto me anime um pouco a ideia de mudança, não deixo também de ficar apreensiva pelo futuro, pelo desconhecido, pelo terminar duma missão que dura já há umas dezenas de anos. Já quase nada do que fui ainda persiste. Pouco restará da minha pessoa de quando nasci, a não ser a minha própria identidade que eu creio ser a única coisa que permanece para além do tempo. Os cabelos louros e dourados tornaram -se grisalhos, a minha carne rosada e tenra de menina é agora pálida e flácida e as agruras do tempo, o desgaste suportado e sofrido, as lágrimas choradas e os desgostos sentidos já se podem ler claramente no mapa das rugas que começaram a surgir.Tudo é sinal que a vida , como um rio, não cessa de deslizar na sua marcha inevitável. Que faço ainda aqui? Que tarefas faltarão ainda ao meu destino? Não sei responder. Sei apenas que  ainda aqui estou e que ,por isso, me resta viver da melhor forma que souber o que ainda me falta passar. Faço, portanto, um apelo à minha serenidade e à minha capacidade de aceitar o  presente e também o meu já curto futuro.

sexta-feira, 13 de março de 2015

OUTONO


O Outono do calendário parece definitivamente instalado, já que o outono da vida há muito que mora nos meus dias. Dias longos, de tempo morto, fluindo tão exasperadamente lento que , por vezes, parece parado. Por um lado sinto a vertigem dos dias, mas por outro estou como que estagnada nesta etapa da vida, em que o coração não responde aos apelos, nem a mente se concentra em nada. Só vejo o rio da vida a deslizar e eu ,na margem, sem querer partir, mas também sem querer ficar! Se olho para trás ponho em causa muito do que vivi, se me volto para o futuro a margem de tempo é tão curta que não ouso fazer projectos. E o presente está tão sem sal, tão sem cor!!! Onde irei eu então descobrir projectos novos que sejam portadores de novas iniciativas e desejos? O meu refúgio é o sono. Não quero acordar em cada manhã para que o dia seja menos comprido... Eu sei que não estou a ir por bons caminhos. A regra mestra não será nunca esta, mas sim procurar, e encontrar, o gosto de viver com as coisas que estão à minha volta, que me falam da vida e que são a própria vida. Tenho esperança em que  ainda tenho tempo para descobrir  motivos de me entusiasmar e sorrir, em que ainda verei   nascer outros dias e manhãs carregadas de apelos e de sonhos! É preciso saber esperar,esperar sem perder a calma nem o Norte. É preciso fazer o coração acreditar em que a vida não acabou, nem acabará, e que cada dia que nasce é uma nova oportunidade de crescer e de ser melhor!

terça-feira, 10 de março de 2015

CHUVA


Aí vai decorrendo a tarde de outro sábado... O dia tem deslizado lenta e silenciosamente para o entardecer. Estou esperando a chuva anunciada nas nuvens que começam a encastelar no azul desbotado do céu e que se deixam levar pela brisa fresca e intensa que vai soprando! Porque anseio tanto pela chuva? Porque um dia de chuva é sinónimo de sossego. As pessoas metem-se em casa e não há,como habitualmente, o péssimo odor das churrascadas. E a chuva rega os campos, revitaliza as laranjeiras sequiosas, faz abrir as últimas flores de verão, as retardadas, que chegam fora de tempo. A chuva tonifica os campos ressequidos pelos dias quentes do estio e ornamenta folhas e ramos com o seu manto de pérolas suspensas. Gosto da chuva! Chuva mansa e vertical que vai descendo numa toada dolente e serena, que apazigua, que faz pensar!...

sexta-feira, 6 de março de 2015

Tempo de Maio


...As sementes quase não germinaram, a chuva anda arredia e o monótono som do vento a varrer e a queimar o que ainda resiste. Está frio! Frio e tristeza neste tempo de Maio. É como a  travessia num deserto: dias sem cor, sem chuva ( tão precisa nesta época), dias iguais e longos, sem apelos nem alegria. As horas rolando, sem altos nem baixos, nesta monotonia cinzenta em que se tornou a minha vida...

terça-feira, 3 de março de 2015

Alguns sinais de PRIMAVERA!!!


Hoje está um dia pleno de sol e de aragem. É o tempo a vestir-se de primavera e a acenar com promessas de flores, de tardes soalheiras e longas...Eu estou aqui, como habitualmente, em frente da minha janela, tentando por-me de acordo com esta espécie de festa que está a começar. Mas o meu coração está calado, circunspecto, não responde aos apelos do sol nem ao canto da passarada...