Cá estou eu tentando atravessar mais uma tarde longa como têm sido, de resto, todas as tardes de ultimamente.Ando com uma preocupação de encurtar o dia, mas , por outro lado, não posso deixar de me impressionar com a correria do tempo, a vertigem dos meses e das semanas, a rapidez dos dias e das horas. Sei que inexoravelmente caminho para o fim desta existência aqui, deste modo e neste lugar. E conquanto me anime um pouco a ideia de mudança, não deixo também de ficar apreensiva pelo futuro, pelo desconhecido, pelo terminar duma missão que dura já há umas dezenas de anos. Já quase nada do que fui ainda persiste. Pouco restará da minha pessoa de quando nasci, a não ser a minha própria identidade que eu creio ser a única coisa que permanece para além do tempo. Os cabelos louros e dourados tornaram -se grisalhos, a minha carne rosada e tenra de menina é agora pálida e flácida e as agruras do tempo, o desgaste suportado e sofrido, as lágrimas choradas e os desgostos sentidos já se podem ler claramente no mapa das rugas que começaram a surgir.Tudo é sinal que a vida , como um rio, não cessa de deslizar na sua marcha inevitável. Que faço ainda aqui? Que tarefas faltarão ainda ao meu destino? Não sei responder. Sei apenas que ainda aqui estou e que ,por isso, me resta viver da melhor forma que souber o que ainda me falta passar. Faço, portanto, um apelo à minha serenidade e à minha capacidade de aceitar o presente e também o meu já curto futuro.
Sem comentários:
Enviar um comentário