Faz hoje, precisamente um mês que passei por aqui, por isto que eu pretendo considerar o meu diário mas que é visitado com grande irregularidade. A convicção que me animava para ir registando os meus estados de alma está muito atenuada e aquela mola que me fazia correr a mão sobre as linhas do caderno como que se partiu. Não encontro nada que valha a pena escrever: o passado já foi todo visto e revisto; o presente está vazio e despido de interesse ...( ou sou eu que não o encontro?)
Já andei uma boa parte do meu caminho e as marcas da caminhada são-me devolvidas pelo espelho, quando nele contemplo o meu rosto : um mapa de rugas onde o olhar perdeu o brilho , e os olhos o encanto. Por cima, a emoldurar o quadro , estão os cabelos grisalhos e sem graça e que eu ,às vezes, prendo com ganchos, e outras vezes deixo-o ao acaso tentando encontrar a graça despretensiosa com que os usava na minha vida de juventude. O tempo passou demasiado depressa. Passou o tempo da vida activa na sociedade, passou o tempo de ter filhos, passou o tempo de criar os netos, passou o tempo das iniciativas arrojadas, de passear, de viajar, de empreender...
Já tudo é muito pesado e medido, considerado e avaliado, antes de cada empreendimento. E alguns nem chegam a concretizar-se. A vida alterou-se, é preciso que se diga, e é necessário assumi-lo. Mas também é necessário continuar a viver na medida das actuais possibilidades!
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