Não posso concentrar-me no que quer que seja, não concilio o sono, não me detenho em coisa nenhuma, mesmo com todo o tempo que agora me sobra! Vivo como que no ar, acompanhando, de forma atordoada, a vertigem dos dias e das noites. Para onde foi a calma que cobria a minha vida? E a serenidade com que aprendi a aceitar os fatos? « Se tens um problema não penses» é o conselho que Deus deu ao Neale e creio que também a mim!? Mas, mesmo não pensando, mesmo procurando apenas SER, não consigo paz nem tranquilidade! Será uma questão de tempo, apenas? Ou é antes a evidência de que ainda tenho muito que aprender e muito que suportar? E vejo ainda a sombra da minha velhice a crescer e a vir ao meu encontro, como que a avisar-me de que tudo tem um limite e um prazo. O fim anda por aqui perto e eu, em certos momentos , não tenho a certeza de estar preparada!... ( Será que alguém está?) Mas como sempre tenho feito, vou apelar à minha serenidade e ficar esperando tranquilamente cada dia que vier , na esperança de que ainda possa voltar a ver o sol brilhar!
terça-feira, 30 de junho de 2015
quinta-feira, 25 de junho de 2015
O ciclo da vida
Daqui observas o alaranjado das nêsperas muito maduras que o vento fresco balança nos ramos e, mais à frente, dispara o grito alegre, cor de fogo, das " marílias" , nascidas ao mesmo tempo num ramalhete garrido, entre tufos de folhas verde negro. Do outro lado, a frescura dos malmequeres brancos, de olhos amarelos, dançando ao sabor do vento...
É a vida nova, o ciclo eterno da vida, o devir inevitável da natureza generosa!
Mas, enquanto isto, és apenas observadora, não te sentes parte da renovação, não sabes onde encontrar maneira de te reconhecer como pessoa renascida! Falta o apelo à mudança, à convicção de que é para mudar até ao fim deste percurso. Parar é morrer! Parar é renegar o teu destino de peregrina, é deixar de criar a tua realidade, de procurar saber quem és. Portanto, apela á vida, às capacidades adquiridas e aos dons recebidos e com eles caminha com esperança e com a convicção de que nada termina e de que a vida é cheia dos mais belos e apelativos cambiantes!
quinta-feira, 11 de junho de 2015
NASCEU UM GIRASSOL
O girassol por que esperavas abriu gloriosamente a sua corola amarela! Nasceu de tamanho médio mas de aspecto impecável.Provém , como já disseste, daquela sementinha esquecida que o hamster não comeu... Guardaste a sementinha e protegeste-a com desvelo até te surgir a ideia de a devolveres à terra do vaso. Foi assim que neste verão pudeste ter um girassol com que delicias o olhar e com quem te alegras, no amarelo vivo das suas pétalas. É a tua flor, obra da tua expectativa e do teu desvelo. Nesta bonita flor revês o ratinho rosado e vivo, inteligente e comilão, que recebia nas patinhas as outras sementes , todas, que lhe davas e que , portanto, não chegaram a florir. Esta semente esquecida teve um destino diferente: teve a vida prolongada na flor que, dentro de si, trazia escondida.É o milagre da vida que se renova, que se transforma , ou se multiplica. O ratinho já morreu; a flor ficou a viver. E até parece que , ao olhá-la, ainda se pode ver a pelagem rosa- pérola do hamster e o seu olho vivo e redondo com que te olhava. Nada se perdeu. A vida desaparece aqui para surgir logo mais adiante. É preciso é saber encontrá-la. É preciso é saber vivê-la. Estás, portanto, reconhecida e encantada com o girassol que hoje nasceu!
segunda-feira, 8 de junho de 2015
UMA TARDE DE MAIO
QUERIDO DEUS - Finalmente decidi vir até aqui,pegar na caneta e deixar a mão ir traçando sobre o papel o panorama da minha alma. Predomina o cinzento, não há flores de alegria, nem regatos de esperança! A paisagem é árida e triste. O que foi que morreu em mim, meu Deus? Para onde foram as minhas certezas e expectativas , as minhas suaves alegrias e os meus sentimentos de confiança?
Mesmo assim venho procurar-te e confio em que vais apaziguar esta agrura que agora me consome. Quero fazer amizade conTigo, quero correr para ti, confiante e serena, em busca da tua luz e da tua paz.
Por favor, aceita ser meu amigo e meu companheiro. Ajuda-me com a tua presença radiosa , conforta a minha alma e derrama sobre ela a luz e a paz!
Neste dia de fim de maio, tento vencer a solidão que se abateu sobre a tarde, mas o pio triste dum passarinho é o que se distingue no silêncio das horas compridas. Está abafado dentro e fora do meu coração. Por favor, ajuda-me a saber esperar e acreditar em que melhores dias virão , sem o espectro das limitações e da falta de força que me começou a avassalar.
Quero confiar de novo, quero fazer um apelo à vida e encontrar outra vez aquela paz tão doce que sempre advém da tua companhia. Dir-me-ás que está tudo aqui, dentro de mim, e que só depende do que eu decidir! Mas a capacidade de decidir é que desapareceu, e a vontade própria é, exactamente , o que está faltando...
quinta-feira, 4 de junho de 2015
Na minha tenda, com Deus!
MEU BOM DEUS
Nesta tarde azul e fresca de primavera, venho saudar-Te e agradecer-Te, pois uma ondinha de optimismo veio rolando de mansinho, até se espraiar na orla da minha vida. Desde aquele momento em que há dias conversei conTigo , tenho sentido a suavidade da tua presença e a doçura do teu amparo.Digamos que é um bom augúrio para retomar as nossas conversas neste novo caderno.Será que estes encontros ainda se estenderão por outros nove anos, como no caderno anterior? Daqui a nove anos terei setenta e sete. Como estarei eu? Só Tu podes saber...mas como sempre me dizes, não acrescentarei nada mais ao momento presente, pois ele já contém o suficiente para eu viver e ser feliz. Deixarei para Ti o que só a Ti compete.
Está uma bela tarde, de ventinho fresco, com o canto das aves e o céu completamente azul. Os dias começaram a crescer e com eles cresceram as horas que preencho a escrever-Te e a escutar-Te, ou a tratar das plantas e dos anexos, ou dos meus blogues, no computador... É assim, nesta tranquilidade, que espero atravessar o resto da primavera e o longo verão que se lhe seguirá. Mas Tu estás comigo e não me deixarás sozinha. Fico acompanhada e protegida, confiante e descontraída, porque tenho por companhia o meu Deus!
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