segunda-feira, 24 de agosto de 2015

O B R I G A D O

" OBRIGADO  por tudo quanto vi, escutei, recebi.
OBRIGADO pela água que me despertou, pelo sabonete perfumado, pela pasta dentífrica refrescante.
OBRIGADO pela roupa que me veste...
OBRIGADO  pelo jornal...
OBRIGADO pelo camião do lixo e pelos homens que o acompanham, pelos gritos que soltam de manhã, pelos ruídos da rua que acorda.
OBRIGADO pelo meu trabalho...
OBRIGADO  pela rua acolhedora que recebeu os meus passos...
OBRIGADO pela comida que me sustentou...
OBRIGADO pela motocicleta que docilmente me levou onde eu queria...
OBRIGADO pelos bons-dias que me desejaram, 
OBRIGADO pela mãe que em casa me acolhe...
OBRIGADO pelo tecto que me abriga, pela luz que me ilumina...
OBRIGADO pela noite serena
                      Pelas estrelas
                      Pelo silêncio...
MUITO OBRIGADO ".  
(De POEMAS PARA REZAR)

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

SABER AMAR

" SABER AMAR  significa ter curiosidade de ti e das coisas que ainda ignoro; interessar-me pela tua vida de cada dia, de cada hora, pelas simpatias que te atraem, pelos trabalhos que te ocupam (...)

SABER AMAR significa pensar sempre em ti, crer em ti, trabalhar por ti, esperar contigo, velar junto de ti, viver de ti. E assim aplanar-te o caminho para que passes cantando; fazer calar o meu coração para que ouças somente o teu; morrer dentro de mim para melhor renascer em ti.(...) A Sabedoria do mundo está em saber amar".
(Nino Salvaneschi)

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

" NÓS OS DOIS"

"Tu és o sonho em que eu caminho.
 Tu és a fonte onde mato a sede.
 Tu és a palmeira a cuja sombra descanso.
 Tu és a chama com que me aqueço. 
 Tu és a esperança que alivia a minha fadiga. 
 Tu és o espelho em que me contemplo. 
 Tu és o coração em que me vejo.
 Tu és a certeza da alma irmã.
 Tu és o refúgio das horas amargas.
 Tu és a jóia das horas alegres.
 Tu és a pérola do meu destino.
 Tu és a vela com que procuro novos horizonte, além do  mar.
 Tu és asa com que busco novos céus.
 E acima de ti, não há senão a luz de Deus."

(Nino Salvaneschi)

terça-feira, 4 de agosto de 2015

NO CAIS...

ESTE PARTE,AQUELE PARTE E TODOS, TODOS SE VÃO...Estes são os primeiros versos duma canção. Todo o dia os tenho cantado na memória: também fui daqueles que partem ao encontro de outro destino.
 E lá me vem à lembrança, mais uma vez, aquela tarde...a hora de transpor a porta de casa. 
Partia e ali ficava o meu quarto,a cama onde me refugiava, a secretária onde, sentada, tentava passar as longas horas do dia ou da noite e  as do fim de semana. E também a floreira com uma estatueta em cima, a cadeira, a mesa de cabeceira...Eram estes os meus móveis que ficavam para trás e para sempre. Mas o que mais me dói,ainda hoje, foi ter deixado o meu gato Manipanzo. Nem me lembrei dele na despedida. Ninguém reparou que ele ficava para trás.
 Nem me recordo de ter olhado pela última vez as ruas que percorria, os cantos conhecidos, os lugares de recordações. Não via, não sentia, não chorava. Toda a minha capacidade ia concentrada naquela viagem, naquele partir que se iniciava à porta de casa e que se ia prolongar no barco que me levaria dum cais escaqueirado da minha vida para um porto desconhecido do meu futuro. E hoje, o coração ainda me dói e ainda se confrange quando evoco essa hora que mais ninguém pressentiu senão eu.