ESTE PARTE,AQUELE PARTE E TODOS, TODOS SE VÃO...Estes são os primeiros versos duma canção. Todo o dia os tenho cantado na memória: também fui daqueles que partem ao encontro de outro destino.
E lá me vem à lembrança, mais uma vez, aquela tarde...a hora de transpor a porta de casa.
Partia e ali ficava o meu quarto,a cama onde me refugiava, a secretária onde, sentada, tentava passar as longas horas do dia ou da noite e as do fim de semana. E também a floreira com uma estatueta em cima, a cadeira, a mesa de cabeceira...Eram estes os meus móveis que ficavam para trás e para sempre. Mas o que mais me dói,ainda hoje, foi ter deixado o meu gato Manipanzo. Nem me lembrei dele na despedida. Ninguém reparou que ele ficava para trás.
Nem me recordo de ter olhado pela última vez as ruas que percorria, os cantos conhecidos, os lugares de recordações. Não via, não sentia, não chorava. Toda a minha capacidade ia concentrada naquela viagem, naquele partir que se iniciava à porta de casa e que se ia prolongar no barco que me levaria dum cais escaqueirado da minha vida para um porto desconhecido do meu futuro. E hoje, o coração ainda me dói e ainda se confrange quando evoco essa hora que mais ninguém pressentiu senão eu.
Nem me recordo de ter olhado pela última vez as ruas que percorria, os cantos conhecidos, os lugares de recordações. Não via, não sentia, não chorava. Toda a minha capacidade ia concentrada naquela viagem, naquele partir que se iniciava à porta de casa e que se ia prolongar no barco que me levaria dum cais escaqueirado da minha vida para um porto desconhecido do meu futuro. E hoje, o coração ainda me dói e ainda se confrange quando evoco essa hora que mais ninguém pressentiu senão eu.
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