Enquanto um pequeno número de pessoas se rodeia de objectos cada vez mais inúteis, consome os recursos de todos e inunda o mundo de detritos, desaparecem os pirilampos e as toupeiras, secam os campos e as florestas, envenenam-se os mares e os rios e morrem de doenças e de fome todos os que não estão em condições de participar no banquete. Se assim é, que sentido tem falar dos nossos impulsos íntimos? Não será perder tempo, exercer uma forma de egoísmo actualmente inaceitável?( De " O Fogo e o Vento" de Susana Tamaro)
quarta-feira, 27 de maio de 2015
sexta-feira, 22 de maio de 2015
CRESCER
« Estou a estudar para ser crescida».
Enquanto o comboio passava velozmente pelos contrafortes do Carso, voltei a pensar no poder ingénuo das suas palavras. Quantos de nós nunca são sequer tocados ao de leve por esse sábio propósito, e quantos, nesse estudo, se detêm satisfeitos nas primeiras letras, convencidos de que já sabem o alfabeto todo! E para quantas pessoas o saber se transforma numa caixa cada vez maior onde se fecham, ou num microscópio em que podem observar sempre o mesmo centímetro de vidro!
( De O FOGO E O VENTO de Susana Tamaro)
quinta-feira, 14 de maio de 2015
DUQUESA
Apesar de todas as doces lembranças, havia nuvens no teu coração: a Duquesa, tua gatinha "tigrada", companheira durante dezassete anos, estava a morrer, estava a ir-se embora. Enquanto eras o alvo dos carinhos, dos sorrisos e das atenções de todos, a tua Duquesa partia... Sabias no teu coração que ao regressar a casa a encontrarias já morta e fria, para ser enterrada. E assim aconteceu. Uma caixinha de cartão foi o que encontraste para a aconchegar com o seu cobertor de todos os dias. E lá foi ela para o seio da terra que agora a cobre e guarda. Em poucos dias virão os bichinhos tomar conta dela e talvez, quem sabe, na próxima Primavera a nossa Duquesa possa aparecer, de novo, à luz do dia, naquela florzinha azul e rasteira, ou na ervinha verde e nova que vai despontar... Seja como for , eu sei e tu sabes também, que ela viverá!
sábado, 9 de maio de 2015
A MENINA QUE EU FUI
... A menina que eu fui, afinal não desapareceu. O que eu sou agora pouco tem a ver com ela porque a mantenho guardada e defendida bem no fundo do coração mas , ainda hoje, é nela que vou encontrando a minha identidade, a minha origem e as minhas razões de viver. Não deixei, não deixo, nem vou consentir que alguém, ou alguma coisa, possam magoar, ou danificar o seu sorriso lindo e inocente. Ninguém vai apagar dos seus olhos claros a luz e a esperança, nem arrancar das suas mãos de menina os planos de futuro. Esta menina será ela mesma para todo o sempre e farei dela também a minha referência, a minha pequena estrela, a minha fonte de inspiração e o meu lugar de descanso. É também por ela que procuro encontrar o caminho de "regresso a casa". Por isso, não quero nunca esquecer a menina que eu fui. Enquanto perdurar no tempo a minha modesta existência, sempre me lembrarei da criança que trago no coração como minha origem e fonte de doces lembranças.Ela é a minha raiz, o meu princípio, a minha infância; é a inocência, a meiguice, a beleza pura, a confiança, a fragilidade e a promessa!
Deixa, pois, que te pegue no meu colo, que te cubra com o meu carinho, que beba da tua frescura e que me refresque nos teus verdes anos! O melhor será mesmo ficar assim contigo, para sempre, nesta harmonia do novo com o velho, nesta complementaridade do sonho com a experiência, da alegria com a dor, da confiança com a decepção.
Afinal são estes os fios com que se tece a existência e se constrói a sabedoria de viver!
terça-feira, 5 de maio de 2015
Na ENCRUZILHADA...
Como sempre, a vida passa-me ao lado e deixa-me na margem a vê-la passar. Sinto-me só e o pior de tudo é que não tenho apelo para fazer seja o que for!. Parei nesta encruzilhada e não encontro forma de me decidir qual o caminho a escolher. Umas vezes anseio por que este tempo passe demasiado depressa para eu ver rapidamente o fim da minha linha. Noutros momentos acho que tudo vai de tal forma rápido que não vou ter tempo de me organizar! A minha vida virou paradoxo! Há também um certo cansaço a nascer no desencanto em que está a ficar a minha existência. E pergunto a mim mesma onde estará aquela pessoa que tinha remédio para tudo e que nos seus inesgotáveis recursos achava sempre a solução para todos os casos! Sinto-me só é a frase que mais cresce nos últimos dias. Só e sem projectos, pois cansei -me dos que já estavam construídos. Esta ponta final da vida tem de levar uma volta que eu ainda não descobri qual é. Tudo converge para um fim! Meia dúzia de anos já será muito tempo para o cenário actual. Onde e como estarei daqui a seis anos? Nem sequer imagino. O que sei é que já não pode haver planos a longo prazo, nem sequer a médio prazo! O futuro é logo mais ali à frente e o presente é tão sem sabor, tão cinzento, tão agreste! Que vou fazer?- Só me ocorre uma ideia: deixar correr para ver o que acontece...E é isso que vou mesmo fazer!
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