... A menina que eu fui, afinal não desapareceu. O que eu sou agora pouco tem a ver com ela porque a mantenho guardada e defendida bem no fundo do coração mas , ainda hoje, é nela que vou encontrando a minha identidade, a minha origem e as minhas razões de viver. Não deixei, não deixo, nem vou consentir que alguém, ou alguma coisa, possam magoar, ou danificar o seu sorriso lindo e inocente. Ninguém vai apagar dos seus olhos claros a luz e a esperança, nem arrancar das suas mãos de menina os planos de futuro. Esta menina será ela mesma para todo o sempre e farei dela também a minha referência, a minha pequena estrela, a minha fonte de inspiração e o meu lugar de descanso. É também por ela que procuro encontrar o caminho de "regresso a casa". Por isso, não quero nunca esquecer a menina que eu fui. Enquanto perdurar no tempo a minha modesta existência, sempre me lembrarei da criança que trago no coração como minha origem e fonte de doces lembranças.Ela é a minha raiz, o meu princípio, a minha infância; é a inocência, a meiguice, a beleza pura, a confiança, a fragilidade e a promessa!
Deixa, pois, que te pegue no meu colo, que te cubra com o meu carinho, que beba da tua frescura e que me refresque nos teus verdes anos! O melhor será mesmo ficar assim contigo, para sempre, nesta harmonia do novo com o velho, nesta complementaridade do sonho com a experiência, da alegria com a dor, da confiança com a decepção.
Afinal são estes os fios com que se tece a existência e se constrói a sabedoria de viver!

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