quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

A MINHA RELAÇÃO COM O CÉU

Frequentemente olho o céu. E sempre foi assim ,desde pequenina! Nele gosto de ver o sol brilhante de Agosto, a lua cheia de Janeiro e montes de estrelas nas noites sem lua...Quanto mais escura for a noite mais estrelas se podem contar. Até chego a escolher esta ou aquela:verde, azul, amarela ou vermelha, tremeluzindo ou simplesmente parada...Todas são minhas companheiras na noite.Cheguei mesmo, através duma que me parecia especial, a localizar o Tibério e como que o via sorrir-me,de lá, da imensidão do universo!...E nessa estrela busquei força para caminhar e luz para os meus dias sombrios. Gosto também de ver a lua redonda e brilhante surgir atrás do pinheiro nosso vizinho, engastada num céu leitoso de verão. Fico a olhar através das janelas da nossa casa este cenário de total quietude, de serena beleza. Gosto de ver o céu pintado de laranja e vermelho, lá ao longe no poente, onde o sol se esconde, mergulhando ensanguentado no mar; ou então no dourado do amamnhecer, onde as tintas suaves do nascer do dia no-lo trazem de volta, agora brilhante e vitorioso. E as nuvens! Tanto tempo a olhá-las: umas vezes todas ligadas ,tecendo uma manta de cinza com que cobrem as ilhas, outras vezes, castelos brancos sobre o fundo azul,paradas no espaço; mas também "cavalos brancos" a galope nas asas do vento forte. Uma tarde,em que ainda era pequena, para ser prestável a minha mãe que estava adoentada, fui para o tanque lavar as fraldas do meu irmão Henrique. Era um desses dias de muito vento e as nuvens , muito baixas, corriam por cima da minha cabeça, em grande velocidade! Que medo que eu tive! E como foi grande a minha solidão naquele momento!Como era negra a luz que me alumiava! Com esforço aguentei um bocadinho, mas ,se olhava o céu com o seu vendaval, perdia completamente a força e a coragem. Desisti e entrei em casa um pouco envergonhada do meu susto. Nunca contei a ninguém este meu medo das nuvens que o vento levava. Hoje o céu é o livro aberto onde Se deixa ler o Criador:"vejo-O" no mar das estrelas, no manto das nuvens, no leite do luar, no ardor do sol. "Vejo-O também no azul clarinho dos dias e no azul negro das noites, na sua imensidão e no seu mistério! O céu já foi para mim o lugar bonito ,mas distante,para onde eu iri depois da morte se me portasse bem. Agora o céu pode ser também aquilo que sinto de bom no meu coração, quando estou em harmonia comigo própria, com Deus e com os outros. O céu é dentro de mim, também a visão e a morada do meu Criador!

Sem comentários:

Enviar um comentário