sábado, 21 de abril de 2012
UM INVENTÁRIO AFECTIVO
28 DE JUNHO /2011....15-30H.....3ªFEIRA....Diz-se em linguagem corrente que coisas são coisas e que não passam disso mesmo...Na verdade, assim é, de facto,mas só até certo ponto.Pois as coisas também podem "falar", evocar histórias vividas,acender no coração fogueiras de alegria, ou de desgosto, de dissabor ou de gratidão. Será , talvez, por isso que eu amo e guardo todas as coisas que posso, para que através delas eu experimente compor a minha história, variando a forma e o sentimento, já que a vida passada, essa, não se pode alterar.Assim continuo a guardar ciosamente: o candeeiro e o relógio de mesa da avó, o sapatinho azul, a bola verde e a transparente, as borboletas de porcelana, o bandolim, as fotografias, as roupinhas dos filhos,os caracóis do Marcelo, os cabelos sedosos do Tibério, os meus diários, as jarrinhas da bisavó Delfina, os castiçais de vidro, cartas escritas de diferentes lugares e por diferentes pessoas e em diferentes tempos...Enfim, são outros tantos livros abertos que deixam entrever lapsos , ou capítulos, do passado e que fazem luz sobre o tempo presente.Por detrás de cada coisa, ou palavra, está uma história ou recordação que me falam de afectos, de vida em família, de doação e de carinhos. São pedaços de história, de vidas que se conheceram e que se deram em gestos fraternos e confiantes.São uma forma, se calhar,única e possível de continuar no tempo aquilo que o próprio tempo já desfez.É o passado que revive e que vem assim completar o presente, temperando-o de velhos sabores, bordando-o com belas relíquias. E assim se vai escrevendo a vida no seu percurso através dos dias e dos anos.Umas vezes num ritmo demasiado lento, outras numa quase alucinação. Mas em qualquer dos casos é sempre da nossa vida que se trata!
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