quinta-feira, 26 de abril de 2012

PRIMAVERA...

O teu ritmo de escrever abrandou. Deixas passar dias e dias sem que me venhas contar o teu viver ou apenas usufruir duma companhia. Estás sem ter que dizer a ninguém. O que sentes, nem o sabes confessar a ti própria! Esta Primavera que vai acabando de chegar ainda conseguiu acordar em ti apêlos e desejos de outros anos, é verdade! Mas acho que o teu corpo não responde, ou pelo menos não responde com o tal entusiasmo que tu conhecias...Há à tua volta um manto de verde novo; aqui e ali, explosões de frutos e flores...Só que o eco produzido em ti não se repete, não se repercute; a tua alma regista com meiguice o que observa, mas mantém-se quieta e silenciosa.Daqui podes olhar o alaranjado das nêsperas muito maduras que o vento fresco balança nos ramos,e, mais à frente, dispara o grito alegre, cor de fogo, das marílias nascidas ao mesmo tempo num ramalhete garrido entre tufos de folhas verde negro. Do outro lado, a frecura dos malmequeres brancos de olhos amarelos, dançando ao sabor do vento. É a vida nova, o ciclo eterno da vida, o devir inevitável da natureza generosa. Mas enquanto isto, sentes-te apenas observadora, não consegues operar a renovação, não sabes onde encontrar maneira de te reconhecer como pessoa renascida! Falta o apêlo à mudança, à convicção de que é para mudar até ao fim deste percurso. Parar é morrer! Parar é renegar o teu destino de peregrina, é deixar de criar a tua realidade, de procurar saber quem ÉS! Vamos, pois, apelar à vida, às capacidades aquiridas e aos dons recebidos e com eles coaminhar na esperança e com a convicção de que nada termina e de que a vida é cheia dos mais belos e apelativos cambiantes!

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