quinta-feira, 8 de março de 2012

O QUE DEI À SOCIEDADE (?)

Só muito tarde me apercebi de que estava inserida numa sociedade e que a relação de interdependência era uma relidade, quer eu quisesse, quer não.Recuando no tempo, o mais possível, talvez possa concluir que a minha primeira contribuição à sociedade fosse aquele carinho que já nasceu comigo e que eu, em segredo umas vezes, outras, declaradamente, dispensava aos animais, às flores,aos canteiros ajardinados da minha casa, ao asseio dos anexos... E também aquela gratidão pelo que a Natureza me oferecia fosse outra forma de agradecer, um contributo, um louvor por aquilo que me era dado receber. Creio, porém, que foi na minha vida profissional que mais terei contribuido para a construção duma sociedade melhor...Modesto contributo! Mas terá sido aquele de que fui capaz e que me foi conscientemente possível.Sempre foi minha principal preocupação e mais preocupante tarefa, formar os meus alunos com base nos valores que constavam da cultura da nossa sociedade: estimular o respeito mútuo e por todas as coisas criadas, amar a honestidade, consigo próprio e com os outros, aprender a verdade em todas as circunstâncias, aproveitar integralmente os dons recebidos e pô-los ao serviço da comunidade, proteger o ambiente em todas as suas vertentes:animal, vegetal e mineral, mas também aprendendo a evitar, ou a rejeitar, a poluição sonora e visual...desenvolver o gosto pelo belo como um património estimulante e imprescindível ao nosso mundo...Enfim, durante trinta e dois anos esta formação de base teve , com alguma frequência, a primazia sobre a informação e a transmissão ,pura e simples, de conhecimentos teóricos e programáticos.E fi-lo inteiramente consciente de que se os alunos se pautassem pelos princípios do respeito, da honestidade, do amor ao belo, seriam, depois, eles mesmos a procurar e a querer a sua própria cultura.Nunca me senti defraudada com esta forma de proceder e hoje,já bastante distanciada desta realidade, ainda me sinto confortada e compensada por constatar que era mesmo isso que devia ter sido feito.

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