domingo, 4 de março de 2012
DO QUE NÃO GOSTO, NA VIDA (continuação)
Ainda no campo da compaixão vêm as crianças mal amadas, aquelas que vivem, qual planta no vaso, sem água e sem calor. São " plantas" sem viço, crescendo pouco e mal, de folhas retorcidas, caules raquíticos sem cor definida, sem atractivos nem perfume...Uma criança que nasce sem o amor de ninguém torna-se num ser abatido e triste, na sombra da vida, do abandono, da agressividade. Ninguém tem um colo para lhe dar, nem tempo para a acompanhar!Bem pode ela esperar e reclamar, gritar e estender os braços, sofrer e mirrar. Não encontra eco em ninguém. É escrava entre escravos!
Todo o ser nasce puro e belo. Cada ser que chega é uma fonte de promessas.Mas o pior é que nem sempre aqueles entre os quais nasceu estão à altura da tarefa... Desde cedo começam a deixar marcas no " barro" macio e virgem. Este " barro" depressa endurece e seca com as marcas lá deixadas. Que crueldade,macular a alma duma criança! Abrir , inconscientemente feridas crónicas e dolorosas na vida de quem não tem voz , nem capacidade de se defender...Neste mundo de espantosas assimetrias, em que uns esbanjam e outros carecem do mais elementar,os que mais "gritam" estas injustiças são aquelas crianças que a televisão mostra,prostradas no colo das mães: corpos mirrados pela míngua do leite e do alimento, onde se passeiam displiscentemnte as moscas... A mãe já não vê,está ali mas não sente, nem espera.De olhar vazio, de coração vazio, uma vida que é quase morte.E o filho nos braços, a ir-se embora! É um grito lancinante contra a injustiça deste mundo de contrassensos.É um grito sem voz mas de altíssima eloquência! É Deus a tentar acordar as nossas consciências! Quem poderá dormir tranquilo sabendo que bem perto poderá estar quem não dorme, não come nem vive?...Só sofre e sofre até ao fim, até ao extinguir-se da luz e da força. Este é um quadro extremamente cruel da vida! Deixa-me doente na alma, perturbada na mente...Como inverter esta situação? Não sei!...
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