Ainda existe. Frequentes vezes ouvi falar na sinistra possilbilidade de abater a araucária!... Insinuava-se que as sua raízes estariam a arruinar os alicerces da igreja, sua vizinha, ao lado de quem cresceu durante dezenas de anos.
Por volta dos meus quatro anos comecei a tomar consciência da sua presença: já era uma esbelta árvore, vestida de verde negro, crescendo esguia e na verical em direcção ao céu.
Do seu grosso e aprumado tronco saíam os ramos de forma regular e em toda a volta, de tal maneira que a araucária estava sempre de frente para nós.Como, de resto, acontece normalmente com as árvores.
Muitos foram os dias e as tardes em que com outras crianças brinquei junto dela, ouvindo os murmúrios do vento na sua ramagem, abraçando com os braços de todos o enorme tronco. E a bela araucária ali estava no meio de nós,dos nossos risos e gritos, dos nossos cantares e das traquinices de quem está começando a viver e sente a vida a sorrir.
Em 1998 sobreveio o grande sismo. A minha freguesia morreu e a igreja desabou. Mas a araucária ficou lá, de pé, testemunha dos dramas sofridos, das lágrimas choradas, das vidas em destroço.Quando olho para esta bela árvore que sobrevive por capricho do destino, leio nela a minha história. É o livro aberto da minha vida. Cresci com ela,depois deixei-a...Mas quando volto a sua silhueta acena-me em segredo como a dizer-me carinhosamente ESTOU SEMPRE AQUI, À TUA ESPERA!!!
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