5ª FEIRA
2 DE AGOSTO DE 2007
Na nossa marcha diária de 30 minutos chegamos a um cruzamento. Do lado direito vinha descendo uma cadelinha loira. Muito magra, mas muito decidida juntou-se a nós. A cauda, felpuda, abanava lentamente e o seu olhar muito triste e meigo foi o que ela teve para nos saudar.
E assim nos seguiu, sempre em silêncio, umas vezes atrás de nós, outras na nossa dianteira.
De vez em quando parava para nos olhar..." Posso ser o vosso cão?"...Mas o Vítor logo avisou: - Não fales com ela, senão...
Vou chamar-lhe LENA ! Foi de facto, o nosso cão, mas só até ao portão da nossa casa.
Ao entrarmos e ao fecharmo-la do lado de fora, acabaram-se os sonhos de Lena: ter um dono, uma casa, uma malga de comida, uma coleira para passear, um amigo...
Ficou talvez um pouco espantada e, sempre triste, afastou-se em silêncio.
Mais tarde, voltei ao portão, já se tinha ido embora. Desaparecera!
O meu coração também não entrou todo em casa.Um pedacinho ficou com Lena. Não lhe servirá de nada, nem sequer a mim.No entanto, é coisa que não sei evitar.
"Não fales com ela, senão..." Claro, senão teremos mais um problema a acrescentar aos outro quatro. Juntar a Lena com a Pituxa? -Não sei! E o Bóris, iria aceitar? E a despesa no veterinário? E...? E...? E...?
Desculpa, querida cadelinha, a mim que não tive coragem de vencer estas talvez pequenas barreiras e desculpa também quem te abandonou tão cruelmente e,de forma tão leviana, se privou da tua companhia serena e dos teus olhos meigos.Mas, sobretudo, é para mim que peço perdão,a ti e a Deus, por ter deixado escapar mais esta oportunidade de dar amor a quem , por sinal, tanto o merecia e tanto dele parecia precisar!

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