
Foi num dia triste e chuvoso desta primavera!
Nada fazia prever que o esbelto pinheiro, meu vizinho ,estivesse a viver o
seu último dia! Ele e as muitas árvores frondosas que foram também suas e minhas vizinhas!
Quando ,espontâneamente , olhei pela janela , todo o meu ser estremeceu perante o enorme vazio que ficou : era um buraco imenso na cortina verde que alegrou o meu olhar quase durante vinte anos.
Dentro do "buraco "ficaram a descoberto as moradias que por ali tinham ido nascendo cobertas pelo arvoredo...
Ficou uma dor, junta com saudade e desgosto... Uma falta e uma ausência que mais nada poderá substituir, nem preencher!
E para onde foram os pássaros que ali se abrigavam? E onde estarão os primeiros ninhos desta primavera, decerto ja começados a construir?
E onde vão agora pousar os milhafres, quando nas tardes quentes do verão vierem cruzar os céus com os seus gritos de alegria?
Para onde arrastaram a vida que palpitava nos braços do pinheiro , meu vizinho, e das outras esbeltas árvores que à sua roda cresceram até hoje?
Bastou um dia , por sinal,cinzento e triste... e tudo desapareceu! Por cima de todo o cenário de destruição as nuvens se iam desfazendo num pranto longo e de silêncio. Sem remédio e sem voz!
E mais um crime consumado! Mais património destruído pela inconsciência dos homens! Mais um paraíso que se perdeu... talvez levianamente ,a troco de nada!
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