
Indiferente ao bulício e aos ruídos da cidade,
aos perigos eminentes que poderá ter que enfrentar,
ao trânsito de pessoas e veículos,
o melro preto debica ,no rectângulo verde que os homens
ainda não ocuparam ou destruiram,
algum bichinho descuidado, alguma semente perdida, ou uma gotinha de água que restou da frescura da manhã...
Dificilmente alguém ouvirá o seu gorjeio sonoro, ou o seu alegre assobio
tal é o ruído que envolve o ambiente.
O mesmo não acontece nas manhãs e nas tardes de abril, em que o dia nasce
ao som de trinados e em que as tardes morrem embaladas pelo gorjear e pelos chilreios do melro!
Excepção para hoje,em que ele não cantou. A manhã nasceu silenciosa e triste! Nua e vazia!
Para onde foste, meu amigo cantor? Terás encontrado uma companheira com quem fizeste nova morada? Ou será que foste apanhado na armadilha das hortas envenenadas onde procuravas o teu alimento?
Vou esperar-te na próxima manhã...Até lá fica a dúvida, e a espectativa,de voltar a escutar os sons da tua melodiosa serenata!!!
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